Casal Aventura

Casal Aventura

7 de junho de 2015

El Calafate à Perito Moreno





Dia 14/dez
El Calafate - Perito Moreno
736 kms


 Saímos de El Calafate por volta das 9h, destino: cidade de Perito Moreno.  Estávamos ansiosos, pois sabíamos que este seria o maior percurso pela lendária Ruta 40 e um dia emocionante, pois seria nosso novo encontro com o rípio e as lembranças passadas não eram das mais agradáveis (link da Viagem para o Deserto do Atacama). Também não tínhamos informações precisas dos trechos de rípio, da situação da estrada e do que estava por vir, mas sabíamos que a companhia do vento era certa, ele insistia em continuar a nos guiar, literalmente.


As paisagens no início da viagem eram deslumbrantes. Montanhas geladas, margeando o Lago Argentino, fizeram parte do visual de boa parte do caminho. O encontro com o Lago Viedma, outro lago glaciar, nos fez perceber o quanto de águas geladas nos cercava.




“Eu ainda não tinha pegado vento lateral na estrada, foi realmente emocionante. Em certos momentos parecia que íamos sair voando, mas de lado. O visual foi fantástico por todo o caminho, paisagens inesquecíveis, mas foi difícil fotografar e filmar, o vento queria não só levar a máquina fotográfica, mas queria me levar inteira, toda vez que eu tentava levantar o braço pra fotografar. Encontrar os guanacos pela estrada, bem pertinho da gente, aos bandos, em famílias inteiras, foi realmente emocionante. Estávamos na terra deles, sem dúvida.” (Andréa).


Uma coisa triste que pode ser vista, e que é contada por todos que passam por esta estrada, é a quantidade de guanacos que se prendem às cercas que dividem as propriedades e que morrem presos a elas. Eles saltam para fora dos campos e, quando querem voltar, às vezes, não conseguem pular o suficiente para ultrapassar as cercas.





Em Três Lagos conhecemos uma turma de jipeiros brasileiros, do grupo Genéricos 4X4, que viajavam em direção a El Calafate, realizando a “Expedição Carretera Austral” (http://overlanderbrasil.com/na-estrada/minha-viagem/expedicao-carretera-austral/). Avisaram-nos que o caminho pra frente seria intercalado de ótimos trechos de estrada nova e outros tantos de rípio, muito ruim. Logo que saímos de Três Lagos nos deparamos com uma vilazinha e com o rípio.


O rípio, ahhhh o rípio de novo, sempre pregando peças na gente...a estrada ia bem, de repente, ele dava as caras, aparecia do nada, aí, lá íamos nós de novo, devagarzinho, tentando não cair. Mas quem vai contar esta parte da história é Jorge, que sentiu na pele, quer dizer, na direção, suas artimanhas.

Passamos por vários trechos de rípio que se revezavam com excelentes trechos de estrada novíssima, mas ainda sem sinalização, o que não diminuía o perigo. Foram aproximadamente 100 kms de rípio. Um longo trecho de aproximadamente 70 kms e depois um outro de uns 30kms. Mas valeram por mil, pela dificuldade que trazem para manter a moto em pé. A moto derrapa o tempo todo, exigindo um esforço muito grande e uma atenção que torna a viagem extremamente cansativa e tensa.

A falta de sinalização, pra ajudar, ainda nos fez se perder, andamos quase 05 kms de rípio e percebemos que a estrada estava acabando, que não levava a lugar algum. Nossa sorte foi uns caminhões de serviço, que tinham alguns trabalhadores... Ao perguntar, eles nos informaram que realmente estávamos indo para o lado errado, então, lá vamos nós, voltar tudo de novo, por um trecho horrível de rípio.

Em certo trecho do rípio, paramos para descansar um pouco (o que fizemos várias vezes no dia), mas no momento de sair, a moto apresentou um problema no botão de partida. Ao olhar ao redor, a única visão, fora o rípio, era de um caminhão que estava trabalhando na nova estrada, mas que não parecia ter viva alma dentro e estava bem longe, talvez mais de 1 km. Jorge vai contar essa parte:

“Depois de uns 50 kms de rípio solto, daqueles bem chatos e cansativos, resolvi parar para descansar um pouco os braços e as costas. Estávamos cheios de roupas de frio, pois no início do dia o vento estava bem frio, mas aos poucos o dia foi esquentando e o sol já estava a pino, sem nuvens. Na hora de ligar a moto e sair, percebi que o botão de partida ficou preso lá dentro e não voltava, fazendo com que o motor de arranque continuasse preso ao motor da moto, já em funcionamento. Desliguei a moto imediatamente, antes que queimasse o arranque. Assim que ligava a chave, o arranque já funcionava, mesmo sem tocar no botão. Pensei: DANOU-SE!

Estávamos bem no meio do extremo nada, numa estrada de rípio sem infraestrutura nenhuma, não tínhamos água - porque não nos lembramos de levar algumas garrafinhas - pois afinal, o que poderia dar errado no meio da Patagônia, com distâncias enormes entre as pequenas cidades, numa estrada de cascalho solto, um vento absurdo tentando derrubar a moto e com animais selvagens por todo lado, não é mesmo?...

Mantive a calma, para não preocupar a Andréa, e lembro de ter dito a ela que aquilo não seria um problema sério, e já já eu resolveria a questão. Depois de mais alguns testes, percebi que o problema não era o arranque, mas apenas o botão que resolveu enroscar lá dentro do punho do guidão. Menos mal.

O calor começou a pegar forte nos obrigando a retirar um monte daquelas roupas de frio, e assim que percebi que estávamos sem água, bateu uma sede danada.

Abri o banco da moto, peguei o kit de ferramentas e comecei a desmontar aquele punho em busca do problema. Na pior das hipóteses, eu cortaria os fios e faria uma espécie de ligação direta, dispensando os serviços do botão.

Nisso, parou um carro na frente da moto. Era um casal de argentinos viajando com duas crianças, uma bem pequena, e o cara veio falar comigo oferecendo ajuda. Expliquei rapidamente pra ele o que estava acontecendo enquanto continuava desmontando o punho. Aparentemente o plástico estava enroscando de tão gasto que aquele botão já estava. O Max (o argentino gente boa) pegou em seu carro um frasco de WD40 e demos uma limpada no botão pra tirar alguma sujeira que estivesse prendendo o curso do mesmo.
Eles também nos arrumaram uma garrafa de água fresquinha para matarmos a sede, que já estava braba, pois eu estava suando bastante.

Montei tudo de novo. O Max também me arrumou uma presilha plástica pequena para substituir a que tive de cortar para liberar o punho do guidão na desmontagem. Hora de testar: o botão ficou preso no final, de novo. Raios!!!

Desliga tudo e vamos começar novamente. Desparafusa, corta a presilha, libera o botão, sopra lá dentro pra tirar sujeira acumulada, taca WD e testa. Com o botão montado, mas o punho na mão, fora do guidão, funcionava perfeitamente. Era só montar o conjunto no guidão e apertar o parafuso, travava de novo.

Da terceira ou quarta vez que fizemos o ritual, eu só encostei o parafuso que prende o punho no guidão pra tudo não cair sozinho, mas sem apertar. E na hora de pressionar o botão da partida ía bem devagar, aos poucos, e percebi que dava arranque antes de encostar no fim de curso do botão. EUREKA!!! FUNCIONOU!!!  A moto pegou e o motor de arranque estava liberado. O botão foi e voltou, como deveria ser.  Nem desliguei mais a moto. Guardei rapidamente as ferramentas debaixo do banco e nos preparamos para seguir viagem. A partir dali, eu não desligaria mais a moto até chegar à civilização!

O Max me deu um punhado daquelas presilhas plásticas para o caso de eu ter de desmontar novamente o punho. Achei melhor aceitar, sem frescura. Eles também deixaram a garrafa de água conosco, pois tinham outras garrafas para as crianças. Tem gente que é preparada para os imprevistos. E outras não...  mas que dão sorte! Rsrsrs

Depois dos agradecimentos merecidos, nos despedimos e eles saíram na frente, pois o carro seguia num ritmo melhor naquele rípio. E, falando em rípio, lá vamos nós novamente tentando não cair.

Uns quinze kms adiante, reencontramos o asfalto e voltamos ao ritmo normal da viagem”.

Max e a família iam pernoitar em Perito Moreno e depois seguiriam para Bariloche, como nós, eles nos deram a dica de um hotel, logo na entrada da cidade e partiram, sem trocarmos qualquer informação. Realmente foram “Angeles” que surgiram em nosso caminho. Enfim, seguimos nossa viagem!!!!



A estrada, no início da noite, ficou fantástica, o brilho do sol sob as montanhas proporcionou um visual incrível, belíssimo, de cores deslumbrantes.



Chegamos a Perito Moreno bem tarde, já no final do dia (ainda bem que escurece muito tarde), não encontramos o hotel indicado e entramos na cidade, os hotéis por lá são bem caros, porque são bem poucos, encontramos o Americano Hotel, um hotel muito bom, simples, mas arrumado e bem próximo ao único restaurante que vimos na cidade, que é minúscula, embora seja ponto de passagem para os viajantes que vão de El Calafate a Bariloche, ou o inverso.

Depois de nos acomodarmos no hotel, fomos procurar um lugar para jantar. Encontramos um restaurante na mesma rua, bem aconchegante, com apresentação de voz e violão de um rapaz, algo bem comum por estas bandas. Comemos uma boa massa e bebemos um bom vinho, não tem imagens, pois o cansaço nos fez esquecer a máquina fotográfica no hotel.

Estávamos exaustos, mas muito, muito felizes de que tudo deu certo e por termos ultrapassado mais uma vez a aventura de andar no rípio. Mal sabíamos que ele faria parte das aventuras do dia seguinte e com mais surpresas!!!

Americano Hotel - Bom - $ 300 pesos
http://hotelamericanoweb.com.ar/

Gasto Combustível: $553 pesos

Assista ao vídeo deste dia de viagem...

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