Casal Aventura

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24 de maio de 2015

Glaciar Perito Moreno



Dia 12/dez
Glaciar Perito Moreno





Neste dia, acordamos cedo, tínhamos um passeio incrível pela frente, aliás, acreditávamos que esse seria o principal da viagem. Depois que o Ushuaia tinha ficado para a próxima aventura, o Glaciar Perito Moreno seria o grande momento da viagem, seria como nosso destino final! E que destino.........

Saímos do hotel por volta das 9h, em direção ao Parque Nacional dos Glaciares, reserva que abriga os grandes glaciares da Patagônia Argentina e do Chile, entre eles, o Glaciar Perito Moreno. A entrada da reserva fica a cerca de 80 km de El Calafate, por uma estrada perfeita, em estrutura e em belas paisagens.

No início do passeio, ainda próximo à cidade, a estrada vai margeando o Lago Argentino, um dos inúmeros lagos patagônicos, o maior e o mais austral da Argentina.  O lago cobre uma superfície de 1466 km2 e tem uma profundidade média de 150 metros, podendo alcançar 500 metros em alguns pontos. O lago foi descoberto em 1875, e explorado, por Francisco Pascaio Moreno (1853-1919), um cientista, naturalista e explorador argentino, que dá nome ao glaciar, a uma cidade e a inúmeras ruas e avenidas espalhadas por toda a Patagônia Argentina. Por todo lugar que passamos tinha algo homenageando Perito Moreno.


A bela estrada, após cerca de 40 km, começa a se afastar do Lago Argentino em direção à divisa com o Chile, onde estão localizadas as geleiras, até chegar à Parque Nacional dos Glaciares, uma reserva natural, margeada por um braço do Lago Argentino na Seccional do Río Mitre.



Quando nos deparamos com a Seccional Río Mitre, é sinal de que estamos entrando no Parque Nacional dos Glaciares. Fundado em 1937, o parque é considerado um lugar único no mundo, por isso, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 1981.




O parque possui uma extensão de 725 mil hectares, que abriga 356 geleiras, entre as quais, alguns dos maiores glaciares do mundo. Glaciares são formados basicamente por neve compactada, neve que se origina do alto da cordilheira dos Andes. Estas formações podem chegar a 170 km, como é o caso do Glaciar Perito Moreno, o maior e mais famoso da região, chamado, por alguns, de “oitava maravilha do mundo”. E ao conhecê-lo, entendemos perfeitamente o motivo. Também é considerado como uma das reservas de água doce mais importante do mundo.

Para se chegar ao glaciar, andamos por uma estrada belíssima, repleta de vegetação, com muitas flores e com belas vistas. Antes de chegar ao glaciar, pudemos fazer algumas paradas, entre elas, no Mirador de los Suspiros, e a vista explica o nome. Toda a estrada entre a entrada do parque até o Glaciar é incrivelmente bela e cheia de imagens surpreendentes.


O impacto de sua visão é algo extraordinário, impossível explicar em palavras, mas poderíamos usar palavras como inacreditável, fantástico, imobilizador, maravilhoso e, sem dúvida, emocionante e inesquecível. Já no caminho é possível ver o Glaciar ao longe, em sua imensidão, mas a emoção que vai tomando conta, enquanto nos aproximamos, é algo impactante, e o frio, que vai aumentando, é o que nos faz saber que estamos na direção correta.


Tentar descrever um glaciar é quase como contar uma ficção científica, podemos falar de seus inúmeros tons de branco e de azul, também de suas fendas com riscos em vários tons de cinza. Podemos destacar sua imponência, devido aos seus mais de 74 metros de altura, ou seus 5 km de largura, ou por sua profundidade que chega a 170 metros abaixo do que nossos olhos podem ver. Junte-se a isso, sua extensão, que chega a 250 km2, e temos um dos mais belos fenômenos da natureza.

Mas não é só isso, também tem seu movimento, que pode chegar a um metro por dia e que, ao encontrar-se com a parte terrestre, provoca um enorme atrito, que o obriga a se moldar e, para isso, lança, no lago, sedimentos, que vão de pequenos e finos, como grandes icebergs, que ficam suspensos na água, formando o leite dos glaciares. Ao entrarmos no Parque, em direção ao glaciar, vamos margeando o Río Mitre, que compõe o Lago Argentino, no lago é possível ver os sedimentos que se desprenderam do glaciar e que “navegam” pelas águas calmas do lago.

Desabamentos pequenos podem ser vistos a todo instante (tivemos o privilégio de ver alguns e ouvir muitos!!!!!), e faz com que este espetáculo se torne ainda mais incrível. Desabamentos maiores ocorrem com menos frequência, o último foi em julho de 2008, também ocorreu um grande desabamento em 2006 e em 2004, porém, antes disso, o desabamento foi em 1988.


“Vou contar algo engraçado: enquanto íamos em direção ao glaciar, percebi inúmeros blocos gigantes de gelo no lago e meu primeiro pensamento foi: “nossa, que legal, eles fazem uns icebergs bem grandes, de mentira, para imitar os que se soltam dos glaciares”. Santa ignorância!!! Não era de mentira, era um iceberg mesmo, da mais pura verdade, do mais puro gelo que se desprende do glaciar!!!!” (Andréa).

Com certeza, além do que os olhos podem ver, a parte mais interessante deste espetáculo é o que os ouvidos podem captar, é o barulho tão imponente quanto sua vista. Enquanto andamos pelas passarelas, que nos permitem chegar muito perto do glaciar, podemos ouvir seu som, estrondos gigantescos que nos avisa sobre nossa pequenez e nos mostra o quanto este glaciar está vivo e pulsante.


A estrutura montada para os visitantes é extraordinária, além das passarelas que margeiam o Glaciar e que permitem olhar a geleira sob diversos pontos, e se aproximar deste gigante, o parque ainda conta com uma lanchonete na qual podemos tomar um chocolate bem quentinho ou uma bebida com o gelo do glaciar (pelo menos é o que nos contam rsrsrsrsr), além de ter lanches, pães e uma boa variedade de guloseimas.









As passarelas contam com diversos bancos, espalhados em pontos especiais, que permitem aos visitantes parar para fotografar, descansar e, principalmente, para desfrutar da paisagem e meditar, ao som do glaciar.










Aproveitamos este espaço para fazer um pic-nic. Ahhh, curiosidade: não existem lixeiras ao longo de todo parque, todo o lixo deve ser guardado pelos visitantes e levados à El Calafate, cidade mais próxima, responsável pela coleta.

Existe apenas um coletor de “colillas”, as “bitucas” de cigarro.
                                                                
Depois de andarmos por todas as passarelas possíveis, fotografar e se deslumbrar com paisagens maravilhosas e com a emoção de ver algo tão diferente, decidimos ir fazer um passeio de barco, que dura cerca de uma hora e nos leva até bem perto do glaciar, pelo Brazo Rico do Lago Argentino. Chegamos ao ponto de embarque e todas as passagens já tinham sido vendidas, conversamos muito com a atendente e ela pediu que aguardássemos, se sobrasse lugares, poderíamos fazer o passeio. Como “meu santo é forte” rsrsrsr conseguimos os dois últimos lugares.





Se é incrível ver o glaciar do alto, tão incrível é vê-lo por baixo, ou melhor, de frente. É uma parede gigante que parece que vai nos engolir, mas sua beleza e a visão de seu tamanho é algo que levaremos pra sempre na memória. 






O barco chega a aproximadamente 200 mts da parede de mais de 70 mts de altura, chegar mais próximo se torna perigoso, pois quando os pedaços se soltam (nunca se sabe quando isto irá ocorrer) podem fazer ondas enormes e colocar o barco em risco. 




Pudemos ver, e bem de perto, alguns destes “pedaços”, que se soltaram por aqueles dias e que "passeavam" pelo lago. Enquanto passeávamos pelos arredores do glaciar, tanto pelas passarelas como de barco, pudemos ver alguns sedimentos se soltarem, não eram grandes, mas o barulho, e o movimento que faziam ao cair na água, deu uma ideia de como seria ver um iceberg maior se desprender.


“Emoção, muita emoção, só assim é possível descrever o que senti ao me deparar com aquele mundo de gelo. Aquele gigantesco mundo de gelo. Aquela sensação de ser pequena diante de tamanha grandeza da natureza. Aquele sentimento que nos inunda ao nos encontrarmos com o inexplicável, com grandeza da beleza do mundo. Chorei, chorei como em outros tantos momentos que não podem ser expressos em palavras, apenas em emoção” (Andréa).

“Eu já devo ter lido uma centena de relatos de motociclistas que foram para essas bandas de Ushuaia e El Calafate, principalmente durante minhas pesquisas para montar esta viagem que estamos contando agora, e em todos os relatos lidos que falavam deste passeio ao Glaciar Perito Moreno os narradores falavam da grandiosidade e beleza deste “monumento gigante de gelo”, mas agora eu entendo por que em todos esses relatos o pessoal diz sempre a mesma coisa: que as fotos, filmagens ou tudo o que se diz a respeito deste Glaciar não faz jus à sua grandiosidade. Realmente eles estão todos certos. Tem de ir lá e ver com os próprios olhos. Sentir seu frio. Escutar os estalos de suas trincas e ter a certeza de que ele está vivo, se mexendo o tempo todo. É fantástico!” (Jorge).

Em nosso passeio pelo Glaciar, encontramos Charlie Tseng e Cecília, eles estavam viajando desde a Ásia, pela América do Sul (http://www.mototuristas.com.br/mototurismo/moto-bmw-1200-gs/ e http://conamoto.com.br/de-singapura-para-o-mundo/).




Para finalizar bem o dia, nada como um bom vinho e um bom jantar. Jorge aproveitou para comer novamente um cordeiro patagônico e eu, uma milanesa, outro prato bem típico na Argentina.






Assista ao vídeo, pois talvez as imagens possam dar uma pequena noção do que as palavras não conseguiram expressar.



Para saber mais:

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