Casal Aventura

Casal Aventura

25 de março de 2015

São Borja -RS à Zárate - AR

Dia 02/dez
São Borja -RS - Zárate - AR
686 KMs

Dia confuso. Assim eu posso resumir bem o que foi o terceiro dia desta viagem.

Depois de um ótimo café da manhã no hotel (coisa de que sentiríamos falta daqui por diante na Argentina), saímos já com chuva de São Borja, procurando um posto de abastecimento.

Ontem, chegamos tão cansados, molhados, sujos e querendo logo um bom banho que nem nos preocupamos em abastecer as motos.

Lucas ainda estava bastante aborrecido com o roubo do celular dele.

Saímos da pequena São Borja sem avistar nenhum posto de gasolina. Pensei com meus botões: ‘na estrada deve ter algum, provavelmente logo no trevo de entrada/saída da cidade’. Estava errado...

Depois de rodar 80 kms, sem ver absolutamente nada além de floresta e mato, a XT parou: pane seca!


Vale a pena citar aqui que, até então, este burrão que vos escreve não sabia que era possível pesquisar os postos de combustível no GPS! “Pontos de interesse: o que é isso???”... Como pode, né?!?...


Ah, vale a pena citar também que Lucas, já sabendo que a autonomia da XT é quase a metade da V-Strom, estava levando consigo um tanque reserva de 10 litros. Pena que ainda estava vazio...

E foi assim que os dois abestalhados resolveram fazer o óbvio: Lucas ficar lá na estrada parado, debaixo de garoa, enquanto eu ia seguir adiante à procura do líquido precioso.

17 quilômetros depois, eu encontrei um posto de gasolina e lá comprei um galão extra de 5 litros para minha própria reserva de segurança.

Entre parar sem gasolina na estrada e continuar a viagem, já com as duas motos e seus respectivos galões abastecidos no posto, se passaram 1h30m, de atraso.

Chegamos à aduana ao meio dia. Estacionamos as motos próximas da fila de imigração e lá vamos nós com os documentos em mãos. Entre aduana e imigração não se passaram mais de 15 minutos. Sensacional!

Quando fomos pegar as motos no estacionamento, um cara, dentro de um Renault ‘véio’ pra cacete, me chamou pra perto da janela do carro e perguntou se eu queria “cambiar” reais por pesos. Fiquei desconfiado e disse para ele que não precisaria.


Na verdade iríamos trocar uma boa quantia de reais por pesos, pois o peso argentino, desvalorizado como está, é propício para este tipo de troca para quem vem com reais. Dessa forma, pagando tudo em “efetivo” (como eles chamam pagamento em dinheiro), a viagem sairia uns 30% mais barata para nós.


Saímos da aduana, abastecemos e tomamos um lanche rápido no posto Esso que fica em frente e seguimos para dentro da cidade de Paso de Los Libres, procurando um tal “container” que servia de escritório de um cara que troca dinheiro – indicação de um caminhoneiro que conheci ainda na Bahia e que sempre faz frete para a Argentina passando por aquela fronteira de Uruguaiana.

Não encontrei o tal trailer no local indicado, mas tinha um monte de caras fazendo sinal para parar para fazer cambio de dinheiro. No meio deles, o cara do estacionamento, aquele do Renaut ‘véio’.  Resolvi parar e falar direito com ele. O cara trabalha nisso, troca dinheiro na fronteira.

Estávamos há não mais de uns 500 metros da aduana, que era cheia de policiais e gente do exército, e tinha um monte de caras fazendo isso. Depois de negociarmos um pouquinho, a cotação ficou em 1 real X 4,50 pesos. No câmbio oficial seria 1 X 3,20 aproximadamente.

Foi no mínimo estranho a gente contando aquele monte de dinheiro no meio de uma rua horrorosa, num lugar que parecia uma favela. Saímos de lá com um verdadeiro tijolo, feito de notas de 100 pesos argentinos, cada um.

Voltamos para a aduana para usarmos o banheiro (que era arrumado e relativamente limpo) apenas para dividir a pacoteira de dinheiro em várias partes e espalhar cada uma delas por vários lugares diferentes.

E, desse jeito, com dinheiro em tudo que era espaço, seguimos viagem até Zárate, arredores de Buenos Aires, chegando lá já à noite. Arrumamos um bom hotel com um preço razoável, mas pareceu ser o melhor hotel da cidade, que é pequena, mas muito agitada e arrumada.

Em frente ao hotel, enquanto Lucas foi na recepção negociar o pernoite, um argentino veio puxar conversa comigo, o Fábio. Disse que tinha uma Versis 650 e também adorava viajar de moto. Sonhava em ir conhecer Bonito, no Mato Grosso do Sul. Ele perguntou bastante sobre a nossa viagem e ficou surpreso quando disse a ele que iríamos ao Ushuaia. Detalhe: ele nunca foi ao Ushuaia.  Mas queria ir à Bonito. Realmente a grama do vizinho sempre é mais verde... rsrs

Ele é proprietário de um chaveiro e casa de ferragens naquela mesma quadra do hotel. Enquanto eu estava lá fora, cuidando das motos e conversando com o meu novo amigo Fábio, o Lucas voltou e disse que poderíamos ficar lá em dois quartos single (eu não dividia mais quarto com ele por causa do ronco Caterpillar dele), mas que o preço era um pouco salgado para nós. Foi aí que o Fábio disse que o dono do hotel era amigo dele e foi lá conversar com o cara. Voltou depois de meio minuto e disse que conseguiu um bom desconto pra gente.

Acabou ficando bem mais barato do que seria. Uns 30% menos. Valeu Fabio!!! Kkk   Motos abastecidas e guardadas nas “cocheras”, um bom banho e fomos comer algo.


Depois de uma pizza deliciosa e uma ou duas garrafas de 1 ltr de Quilmes bem geladas, na mesa da calçada de uma lanchonete, ao lado do hotel, fomos dormir.


Na manhã do dia seguinte eu teria de achar um lugar para mexer naquela maldita corrente remendada que não parava de estralar e me preocupar.



Hotel Zárate Palace – Muito bom – Valor da diária: $300 pesos

Gasto Combustível: $554 pesos


Você pode assistir ao vídeo do segundo e do terceiro dia....

Um comentário:

  1. Jorge, tá ficando muito top o seu blog! Muito massa a viagem..
    parabêns!!!!!!

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