Casal Aventura

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5 de março de 2012

Conhecendo Montevidéu - Parte 2

Viajando pelo passado!


A leste fica a Puerta de la Ciudadela, um dos portões da antiga muralha que cercava a cidade, onde tem início a Peatonal (nome dado a vias exclusivas de pedestres) Sarandí que é uma obra recente, de 1992, que permite o acesso a Ciudad Vieja. A “peatonal” é formada de um qualificado passeio com uma variedade de arquiteturas que conecta os pontos da antiga cidade, como a Praça Matriz, do período colonial, e a Praça da Independência.
Na Peatonal Sarandi é possível ver o Espacio Solis. Inaugurado em 28 de abril de 2010, pela Junta Departamental de Montevidéu, é um projeto que tem como objetivo divulgar diferentes personalidades de relevância a nível nacional e internacional, como ocorre em cidades como Buenos Aires, Paris, Los Angeles etc. Se trata da colocação de “lozas” de bronze, que tem gravados o Sol da bandeira uruguaia e o nome da figura homenageada. 

A Puerta de la Ciudadela foi restaurada por 4 anos, sendo reinaugurada em março de 2009. Atualmente é possível ver de um lado o estilo mais moderno e do outro a construção original, onde se colocou uma placa que diz: “Documento material directo del complejo de fortificaciones Hispano-Montevideano”. A porta era um baluarte encarregado de resistir ao embate de qualquer ataque inimigo e que possibilitava a única entrada para o setor interior da cidade, quando esta era fortificada. Para ingressar era necessário cruzar uma ponte elevadiça. A sua construção levou mais de 40 anos e as obras se iniciaram em 1741, sob a direção de Diego Cardoso, finalizando em 1780. 
A arquitetura da época se conserva na Ciudad Vieja e responde ao estilo neoclássico espanhol. La Ciudadela era uma formidável fortificação de pedra com uma grande praça de armas rodeada de muralhas com muros de granito de 6 metros de espessura, 4 fortalezas dotadas de 50 canhões. Em 1877 foi completamente demolida para logo ser a base da atual Praça da Independência.

Caminhando pela Peatonal Sarandí se chega a Plaza da la Constitución, a praça mais antiga de Montevidéu, também conhecida como Praça Matriz por localizar-se em frente à Catedral Metropolitana de Montevidéu. A praça recebe o nome oficial por ter sido neste local que se jurou, em 18 de Julho de 1830, a primeira constituição da recém-nascida Republica Oriental do Uruguai. Esta praça foi centro da vida nacional. Atualmente ela é o centro comercial e turístico do bairro.

 No centro da praça encontra-se uma fonte, que alguns denominam de Fuente Messianica, inaugurada em 18 de Julho de 1871, que foi construída pelo italiano Juan Ferrari, por ocasião da inauguração dos serviços de água potável da cidade de Montevidéu, a carga da empresa privada que tinha a concessão. O contrato previa a construção de uma fonte de mármore no centro da praça que abasteceria de água a população.


Faz parte da praça vários bancos onde as pessoas se acomodam para conversar, para olhar o movimento das ruas laterais, para tomar um café e onde é possível passear em uma feira de artesanato, artigos de coleção e produtos típicos. Na praça também é possível ver o Club Uruguay, o Cabildo, e outros prédios antigos.


Mas sua atração principal é a Iglesia Matriz da Inmaculada Concepción. Já em 1730 foi construída uma igreja matriz de tijolos na praça principal, que foi inaugurada em 1740, preservando-se a imagem de Nossa Senhora da Fundação na igreja atual. Essa primeira matriz ruiu em 1788, decidiu-se então reconstruí-la no mesmo local. Sua construção se concretizou em várias etapas, partindo do projeto original de 1790 quando foi colocada a pedra fundamental. Em 1804 a igreja foi inaugurada, mas em 1807 a igreja, ainda inacabada, foi danificada por fogo de artilharia na invasão inglesa. As duas torres da fachada só foram terminadas por volta de 1818. Em 1858 foi realizada uma grande reforma e o edifício foi restaurado em 1903 e em 1940. Em 1870, o Papa Pio IX elevou a igreja a Basílica, reconhecimento por sua relevância religiosa e cultural. Em 1878 transformou-se em Catedral e em 1897, pelo Papa Leão XIII, em Catedral Metropolitana.



No dia 23 uma parte dos viajantes visitou o Museu Nacional, onde se conta a história da independência da cidade, sua construção, suas guerras, através de pinturas, mapas, que retratam as batalhas, as personalidades e onde General Artigas é figura corriqueira. Enquanto os viajantes passeavam pela cidade, por volta das 11h, houve uma mudança de clima com ventos fortes e queda brusca de temperatura, o que os fez retornar rapidamente ao hotel para colocar roupas de frio. Aproveitaram para almoçar no Bar Hispano e para comer doces maravilhosos na Doceria Costa Brava. O resto da tarde a turma ficou no hotel onde descansaram, pois queriam aproveitar a noite de Montevidéu, mas está é outra parte da história que contaremos nos próximos capítulos.

Ainda na Cidade Velha é possível conhecer a Bolsa de Valores, o Banco de La República Oriental e a praça Zabala, rodeada pelo Palacio Taranco, pela Casa de Sáenz de Sumarán. Seu nome homenageia Bruno Mauricio de Zabala, considerado o fundador de Montevidéu. Nascido em Durango, militar desde muito jovem, participou de muitas companhas, entre elas a Guerra da Sucessão, perdendo o braço direito em combate, o que o levou a usar um de prata. Em 1716 foi designado Governador de Buenos Aires e Capitão Geral do Rio da Prata. Em 12 de outubro do mesmo ano o monarca lhe encomendou a vigilância e cercania de Montevidéu e Maldonado, impedindo os portugueses de ter contato com a população de Buenos Aires. Em julho de 1722, Zabala aceitou fazer diligências a banda oriental (Montevidéu) a fim de conseguir povoar a região. 

Em janeiro de 1724 Zabala embarcou rumo a Montevidéu com o objetivo de ocupar a península, ordenou a construção de um forte e estabeleceu o primeiro esboço do que depois seria a base primária da cidade. Ao retornar a Buenos Aires foi felicitado por sua atuação e informou sua disposição de enviar 50 famílias, de Galícia e de Islas Canarias para povoar o lugar, começando o longo processo de fundação de Montevidéu. A estátua em sua homenagem se encontra no centro da praça, foi construída pelo espanhol Lorenzo Valera com a colaboração de Pedro Muguruza Otaño, em bronze, pedras e mármore e foi inaugurada em dezembro de 1931.


Continua....



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