Casal Aventura

Casal Aventura

2 de março de 2012

Conhecendo Montevidéu - Parte 1

 Conhecendo Montevidéu – Uruguai (22 a 24 de Dezembro)

Este capítulo da história será dividido para facilitar a leitura...

Falando da Cidade Nova!


A chegada a Montevidéu já é encantadora, pois se depara com avenidas repletas de árvores centenárias, depois com uma orla belíssima, envolta em jardins e calçadões por onde as pessoas circulam a beira do Rio da Prata. Montevidéu é uma cidade organizada e muito arborizada, mesmo em suas ruas mais escondidas.


Montevideo, como é chamado, é a capital do Uruguai e sede administrativa do Mercosul, da Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Intercâmbio. É a cidade latino-americana com a maior qualidade de vida e se encontra entre as 30 cidades mais seguras do mundo. Montevidéu alcança aproximadamente 1,4 milhões (2004) de habitantes em seus 530 km2, metade da população total do país que é de 3,4 milhões. O Uruguai possui um dos maiores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) e um dos menores índices de analfabetismo.


Tudo lembra o passado, que é preservado em seus inúmeros prédios antigos, em sua arquitetura e em sua história, contada em cada canto da cidade. História que se mistura ao moderno de maneira harmoniosa, trazendo ao lugar um ar aconchegante. Andando nas ruas de Montevidéu se pode conhecer um pouco do trajeto que esta cidade construiu ao longo dos anos e da vida atual de seus moradores. Passo e presente se fundem, criando um dos maios atrativos turísticos do país.


Poucas vilas tiveram tantos nomes até o definitivo como esta cidade, que já foi chamada de Pináculo de la Tentación, Monte de la Detención, Nuestra Señora de la Candelaria, Monte de San Pedro, entre outros, desde a viagem de Américo Vespucci em 1501 até sua fundação por Bruno Mauricio de Zabala em 1726. Contudo, existem duas versões para a origem de seu nome atual. A primeira se baseia no diário de navegação da expedição de Fernão de Magalhães, datada de janeiro de 1520, que registra a existência de um monte que se assemelhava a um chapéu, localizado à direita de quem navega de leste para oeste. A esse monte foi dado o nome de "Monte vi eu". Assinado por Francisco de Albo, contramestre da expedição, esse é o mais antigo documento em espanhol que menciona um nome similar a "Montevideo".


A outra versão, apesar de não ter base em documentos históricos, é a mais difundida. Ela relata que navegando pelo Rio da Prata de leste a oeste (do Oceano para o Continente), avista-se o 6o. Monte na região em que hoje se situa a capital uruguaia. Daí o registro de "Monte VI de Este a Oeste", que de forma abreviada se escreve "Monte-VI-D-E-O". 


Montevideo e a Banda Oriental foram porto antes de ser capital do país. Em 1776 a Espanha criou na cidade sua grande base naval, que devia conservar a integridade da soberania espanhola nas regiões entre o Rio da Prata e as costas atlânticas do Uruguai até a Patagônia, as ilhas Malvinas e o golfo da Guiné, na África, o que marcou a história da cidade. A fortaleza e o porto foram rotas de colonos, escravos e marinheiros, bem como lugar de imigrantes e comerciantes. A primeira família canária chegou ao continente em 1726, e se somaram aos vascos, catalães, andaluzes, galegos e castelhanos ou asturianos, o que lhe confere uma diversidade étnica e variedade humana.


Montevidéu nasceu de um pequeno povoado de índias tapes e imigrantes das Canárias, radicados em torno de um forte construído em 1724, por ordem de Bruno Mauricio de Zabala, governador espanhol de Buenos Aires (que tem uma praça em sua homenagem). Com Zabala nasce, em la Navidad de 1726, San Felipe e Santiago de Montevideo. Neste ano adquire estatuto de cidade e no século XVIII começa a se destruir a muralha que a cerca e a construir a cidade aberta que existe hoje, a cidade então cresce estimulada pela liberdade de comércio direito com as cidades espanholas além de ser o centro de exportação de produtos da pecuária do interior da província e de ter trocas comerciais com Buenos Aires. A partir de Montevidéu partiram os navios espanhóis que tinham a missão de libertar Buenos Aires da tomada pelos britânicos em 1806.


Montevidéu, no entanto, forma-se como outra junta favorável à cisão com a Espanha, tomada por Napoleão Bonaparte. Após ser conquistada por Portugal, tornar-se capital da Província Cisplatina, pertencer ao Brasil durante o reinado de D.Pedro I, chegando a receber o título de Imperial Cidade. Conquistou sua independência na chamada Guerra da Cisplatina, em que recebeu o apoio da Argentina, tornando-se capital do Uruguai.



Montevidéu recebeu, no início do século XX um contingente de imigrantes italianos e espanhóis e a partir da década de 30, pessoas vindas do interior do país atraídas pelo crescimento econômico.

O destino da Banda Oriental (nome dado ao Uruguai devido a sua localização) foi desde o começo de sua colonização a de um país com vocação de se resguardar de seus inimigos, tendo um século XIX marcado por guerras civis, o Uruguai chegou a ser considerado, no início do século XX, um país modelo da América Latina, por seu elevado nível de vida e suas conquistas em esportes, ciências e arte, além do alto grau alcançado na educação.

Recentemente, o Uruguai alcançou a alfabetização de quase toda sua população, graças ao educador José Pedro Varela, que em 1877 instaurou a escola gratuita, obrigatória e laica (excelente exemplo para nós brasileiros que tanto criticamos nossos irmãos vizinhos).

A cidade é sede política e financeira do país e em suas indústrias são processados os derivados de lã, carne e couro vindos das criações do interior do país para exportação. Também concentra as indústrias calçadistas, alimentícias e têxteis e de construção naval e exploração de petróleo. Além do turismo que é uma das atividades econômicas mais importantes de Montevidéu.



O primeiro contato dos viajantes com a história da cidade foi feito na Av. 18 de Julio, a principal avenida de Montevidéu onde fica concentrado o comércio que ocupa os prédios antigos e modernos da cidade. Nesta avenida se encontra a Estatua de La Libertad, em frente a Praça Cagancha, nome concedido por decreto em 1840 em comemoração à vitória em 1839 na Batalha de Cagancha, às margens do arroio Cagancha.

Em 1864 a praça recebeu o nome de 25 de maio, após o inicio da revolução que marcava o começo de uma guerra civil que terminou em fevereiro de 1865 com a chamada “Paz da União. Neste ano, a praça voltou a chamar Cagancha. Nesta época, o chefe político Manual Aguiar encomendou uma estátua comemorativa pelo fim do conflito, o projeto selecionado foi do escultor italiano José Livi, que apresentou uma figura feminina empunhando com sua mão direita uma espada e com a esquerda a bandeira. A estátua de 17 metros e 9 toneladas foi fundida no bronze dos canhões da guerra e colocada no centro da praça, no topo de uma coluna de mármore. Foi inaugurada em 20 de fevereiro de 1867 e recebeu o nome oficial de Estátua da Paz, sendo o primeiro monumento público de Montevidéu. Em 1787 foi restaurada, devido a um raio que a atingiu, e a espada foi substituída por correntes partidas, retirando a ambigüidade do primeiro símbolo do pacto republicano entre os partidos políticos. Em 1939 a Junta Econômica Administrativa decidiu colocar a estátua no pátio do Museu Juan Manuel Blanes, onde ficou até 1942. Neste ano foi novamente instalada na praça empunhando, pela segunda vez, a espada.

Uma situação engraçada que vivenciaram na praça de nome diferente: Vocês estão vendo na foto estas luzinhas, penduradas. Pois bem, elas estavam por toda a parte, entre as árvores, nos postes e os “turistas” acreditaram tratar-se da luz natalina. Ficaram aguardando no dia 22 até que escurecesse o que acontece por volta das 10 da noite e nada de as luzes se acenderem. Então Fred foi usar todo o seu espanhol com um rapaz da banca de jornal e este lhe informou que as luzes tinham sido colocadas para o Carnaval (umas das principais festas da cidade) e que a deixaram por lá, mas que elas estavam apagadas desde então e não iriam se acender. Imaginem: o fato rendeu muita risada à turma!!!





Seguindo pela Av. 18 de Julio se depara com a Intendência de Montevidéu, um prédio imponente que se destaca pela cor e tamanho. O edifício foi construído em etapas entre 1936 e 1968, mas foi habilitado em 1942. Seu autor foi o arquiteto Mauricio Cravotto e o terreno onde se encontra tem uma larga história, tendo sido um cemitério inglês, praça de armas para exercícios militares e um teatro aberto, além de palco de exposições e de baile de máscaras durante o Carnaval.


Ainda caminhando pela Av. 18 de Julio é possível conhecer (e fotografar) inúmeros pontos turísticos, entre os quais destacam-se a Plaza de Entrevero, os Museos del Gaucho e de la Moneda, o Jockey Club, o Ex Sorocabano, alguns cassinos. Um edifício que chama a atenção é o London Paris, construído em 1905, o arquiteto que o criou é uma dúvida antiga, alguns dizem ter sido o inglês John Adams, outros dizem que foi Masquelez Julián, uruguaio treinado na Europa. Mas o original foi construído pela companhia de seguros escocesa Standard Live, sendo por muitos anos o edifício mais alto da avenida, onde funcionou por décadas a grande loja “Londres Paris”, de 1908 até seu fechamento em 1966.


A turma depois de muito andar decidiu jantar, encontraram o restaurante Facal, onde foi atendida por Léo, um uruguaio que viveu por 02 anos em Salvador. Foi amizade à primeira vista. Ele foi muito simpático, tirando as dúvidas, ensinando palavras novas e fazendo os viajantes pensarem que estavam próximos de casa. Neste dia conheceram o “postre” Facal, servido a outra mesa e que Léo fez questão de deixar em suspense, convidando os turistas a retornarem para experimentar tal “atração” a parte. Uma pena não ter tirado nenhuma foto com esta figura inesquecível.


Em frente ao restaurante outro ponto bastante conhecido: La Fuente de los Candados. Uma fonte rodeada de cadeados presos às grades. Conta a lenda que os casais que colocarem um cadeado com suas iniciais presos à fonte ficarão juntos para sempre. Como os viajantes não tinham nenhum cadeado disponível apenas tiraram fotos. 




Na Praça Cagancha é possível sentar, curtir a vista, apreciar o movimento das pessoas que andam de um lado a outro, algumas no tom acelerado de quem tem hora para chegar e outras que contemplam todos os detalhes e circulam calmamente, passos típicos dos turistas. Em um dos lados da praça é possível ver o Ateneo Montevideo, construído por vários arquitetos e engenheiros com distintas influências e recursos, mas que exibe uma imagem notavelmente unitária. A obra foi projetada em 1897, foi fundada em 03 de julho de 1886, porém finalizada em 1900.
Outra atração imperdível é a Plaza de La Independencia, a mais importante do país, localizada no limite entre a Cidade Velha e a área central, também chamada Cidade Nova. Foi originalmente projetada pelo arquiteto Carlo Zucchi em 1837.


Na calçada oeste, na esquina com a Av. 18 de Julio, pode-se ver o Palácio Salvo (ao lado), construído em 1922 pelo arquiteto Mario Palanti, tem 27 andares e manteve o título de edifício mais alto da América do Sul durante décadas.








Em frente à calçada sul pode-se encontrar o Executive Tower, atual sede do Poder Executivo (ao lado).




No cento da praça está a grande estátua eqüestre de José Gervasio Artigas, onde é possível conhecer o Mausoleo del Artigas, principal figura da história da independência da Republica Oriental. A estátua, executada na Itália pelo escultor Angelo Zanelli, tem uma altura de 17 metros e pesa 30 toneladas, feita em bronze e granito. Em seu redor apresentam-se imagens que representam as cenas do “Éxodo del Pueblo Oriental”. General Artigas tem uma história de longa luta e se manteve fiel aos princípios da república e da federação, vencendo os espanhóis na Batalla de las Piedras. Foi proclamado “Protector de los Pueblos Libres”, após a dominação espanhola se dedicou a organização política, administrativa, econômica e cultural da então denominada Provincia Oriental. Depois de cinco anos de desigualdade e luta, decidiu abandonar sua terra em 1820, exilando-se no Paraguai onde faleceu em 1850. Seus restos foram repatriados em 1856 e descasam neste monumento, quando de sua inauguração em 19 de junho de 1977. Foi declarado oficialmente o “Fundador de la Nacionalidad Oriental”.

Uma das vistas da praça é para o Teatro Solis. Inaugurado em 25 de agosto de 1856, com a apresentação da ópera Ernani de Verdi. Tem o nome em homenagem ao navegante espanhol Juan Díaz de Solís, que comandou a primeira expedição européia a seguir pelo Rio da Prata. A ideia de sua construção surgiu em 1840 e sua edificação é produto de uma somatória e adaptação de projetos e sucessivas etapas em virtude de interrupções, como a suspensão devido à Guerra Grande (1843-1851). No momento da inauguração ainda não estava acabado, o que ocorreu somente entre 1869 e 1874. 


Continua............

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja bem vindo nesta aventura e obrigado por compartilhar conosco!!!