Casal Aventura

Casal Aventura

7 de fevereiro de 2012

Serras Catarinenses: emoção e belas paisagens








2º. Dia – 19.12.2011
São José a Criciúma – Serras Catarinenses








Saíram de São José as 07 h., o dia não seria de muitos quilômetros, mas de alguns desafios, muita aventura e certamente muita emoção, pois teria as Serras Catarinenses como desafio.


Tomaram café da manhã e seguiram viagem.



Por volta das 09h30m, a moto apresentou um problema “técnico”: soltou o pedal do cambio. Pela primeira vez tinham um incidente em viagem. Jorge parou em um restaurante e prendeu o pedal com as ferramentas que tinha. Poucos quilômetros adiante, as 09h40min., soltou novamente. Procuraram um posto de combustível e 10 minutos depois, com a ajuda de um borracheiro, tudo ficou em ordem e seguiram viagem.


Depoimento Jorge: “Qual não foi minha surpresa quando fui tentar reduzir a marcha e não encontrei a alavanca de cambio onde deveria estar... Fiquei procurando ela com o pé e nada... pensei: f...u! Fui levando ela em 6ª. marcha até um lugar onde poderia parar em segurança e quando desci da moto vi, com certo alívio, que a alavanca estava literalmente pendurada, pelo cabo, mas completamente solta do eixo onde deveria estar. Eu já havia lido em alguns relatos que a VStrom “costumava” dar algum problema no pedal de cambio, mas nunca descobri qual problema era esse. Felizmente o problema é bem fácil de resolver: A alavanca de cambio tem um eixo fixo nela que tem uma porca logo atrás da haste da alavanca, e na continuação do eixo vem a rosca que pega no quadro da moto. Acho que com a vibração ela vai soltando e não dá pra perceber. No kit original da moto tem uma chave 17 que aperta esta porca, mas o problema é que a chave é mais larga que a porca, então tive que desgastar a chave (da 2ª vez que soltou) num esmeril de um borracheiro da estrada e aí consegui apertar legal este eixo no quadro. Pra quem tem VStrom, dêem uma boa olhada na alavanca de cambio e vão entender o que estou dizendo. Naquela revisão geral da motoca que precede uma grande viagem é bom dar um aperto naquele eixo. Fica a dica!”



Chegaram a Gravatal por volta das 10h, seguiram em direção a Serra do Corvo Branco. Esta serra não estava nos planos iniciais da viagem, mas após Jorge falar com alguns motociclistas moradores de SC e RS, decidiram incluir mais este passeio, afinal todos, sem exceção, falaram da beleza e da emoção que é passar por este lugar. Mesmo tendo seus 30 km de terra batida, realmente vale a pena passar por ela. A forma mais emocionante de percorrê-la é indo de Grão Pará a Urubici.



Aproveitamos para agradecer ao “amigo motociclista” Clemir pelas dicas e por nos fazer conhecer este lugar maravilhoso.



Mas cuidado: nem todas as motos conseguem superar suas curvas fechadas em meio a pedriscos e muita areia. Para aqueles que querem arriscar vale os momentos de sufoco, pois são superados pela beleza extrema.



A serra do Corvo Branco está localizada na SC439, entre as cidades de Grão Pará e Urubici e a uma altitude de 1470 m. ao nível do mar. 













Trata-se de uma linda estrada, formada por um emaranhado de montanhas, que possui em seu cume o maior corte vertical feito em rocha do Brasil, com dois paredões de 90 metros, onde se inicia 30 km de descidas íngremes e curvas assustadoras, tendo apenas 600 metros de pavimentação em seu início. Trata-se de uma obra muito importante, incrustada na rocha pela mão do homem e pelas máquinas. Possui vários mirantes que permitem o acesso a um visual deslumbrante e inesquecível.




Uma de suas lendas fala de um caboclo que, andando por aqueles lados, achou um ninho de pássaros brancos. Levou-os para casa. Os pássaros foram crescendo e tornaram-se pretos. Eram Corvos! Por isso leva este nome.


Levaram cerca de duas horas para percorrer a serra e ao seu final chegaram à estrada que os levariam ao acesso para a Cachoeira Véu da Noiva e o Morro da Igreja, onde fica a Pedra Furada.


A cascata Véu da Noiva, como é chamada pelos moradores, fica a cerca de 7 km da estrada em uma propriedade particular que cobra R$ 2,00 por pessoa, vale pela beleza e pelo barulho característicos das quedas d´água, mas nada que impressione.


Uma velha lenda indígena conta que um índio chamado BICI, que veio desposar uma índia do lado de Santa Tereza, foi morto no caminho e ela, de paixão, debruçou-se no monte e chorou tendo originado a cascata.

O Morro da Igreja fica no mesmo acesso, a 17 km da estrada principal por um caminho estreito mas pavimentado, de paisagens belíssimas. Trata-se de um dos pontos mais altos do sul do país, com 1822 m. de altitude. Possui temperatura média anual de 11º., percebidos pelo frio que os visitantes sentiram enquanto fotografavam cenários deslumbrantes. É o ponto habitado da região sul onde foi registrada a temperatura mais baixa do Brasil, 17,8º. negativos, em junho de 1996. No inverno ocorre queda de neve, perigo avisado em placas ao longo da estrada. Existem relatos de que a sensação térmica no local já chegou aos 46º.C negativos. Em seu cume estão uma base militar da Força Aérea Brasileira e as antenas de controle de tráfego aéreo do sul do Brasil (CINDACTA).


No alto de sua imponência, é possível vislumbrar uma paisagem magnífica, de onde se pode ver outro cartão postal da região: a Pedra Furada.

Uma obra prima da natureza que faz parte do Parque Nacional de São Joaquim. Trata-se de uma formação rochosa, uma escultura natural em forma de janela, com abertura que mede aproximadamente 30 metros de circunferência. A pedra fica localizada na divisa dos municípios de Orleans, Bom Jardim da Serra e Urubici.

Conta a lenda que os Jesuítas esconderam quarenta cargueiros de ouro e prata em frente à janela furada antes de serem expulsos pelos índios, e de tempos em tempos se ouve histórias de alguém que encontra um cofre, caixa ou arca com ouro. Muitos são os aventureiros que chegam a Pedra Furada pelas trilhas.

Depoimento Andréa: “Sem dúvida valeu a pena fazer esta serra e visitar estes lugares deslumbrantes, com certeza serão imagens que guardaremos em nossa memória e emoções que nossos corações não esquecerão”.




Imagens em movimento!





Depois de conhecer estes lugares fantásticos na Serra Geral, os “viajeiros” pegaram a estrada novamente, agora em direção a outro grande desafio: a Serra do Rio do Rastro. Esta serra estava nos planos desde o início, depois que um grande amigo motociclista, Sandro Hofer, passou por lá e contou sobre a maravilhosa sensação provocada por suas curvas.



Antes de chegar á serra, pararam na Chocolateria Schoko Haus, em Bom Jardim da Serra, para tomar um chocolate quente e comer umas guloseimas. Parada que não poderia faltar quando se visita o Sul do Brasil. As proprietárias tinham vivido em Santos, pois a família foi sócia de uma doceria no Gonzaga (os pais de Andréa moram em Santos). Contaram que foram visitar a serra, se encantaram e decidiram viver por lá, isso foi a mais de 12 anos.

Os viajantes chegaram ao Mirante da Serra do Rio do Rastro por volta das 18h, lugar de um visual fantástico que impressiona não apenas pela beleza, mas, sobretudo pelas curvas que cortam as grandes montanhas.

Esta serra é um dos desafios no Brasil que está na lista de muitos motociclistas e isto não era diferente para Jorge.


A Serra do Rio do Rastro faz parte das serras catarinenses e é cortada pela rodovia SC-438, onde é possível ter uma vista privilegiada de toda a serra que surge como serpente em meio aos inúmeros tons de verde da vegetação.


Localiza-se no município de Lauro Muller, e está a mais de 1421 m. de altitude, onde fica o mirante. O ponto mais elevado da serra é o Morro da Ronda com 1507 m. de altitude.


O percurso da Serra do Rio do Rastro é caracterizado por subidas íngremes e curvas fechadas, bem como por ótimos locais para desfrutar a paz proporcionada pela natureza. Coberta pela mata Atlântica, com uma fauna bem diversa, com vários tipos de felinos de pequeno, médio e grande porte, uma fauna de macacos (bugios, macacos-prego, sagüis), quatis, pacas, mãos-peladas, tatus, tamanduás e iraras, que são animais comuns numa mata atlântica preservada. Também uma avifauna composta de águias chilenas, tiês-sangue, tucanos, araras, papagaios etc.

Além da grande beleza da paisagem, a Serra do Rio do Rastro faz parte de uma coluna estratigráfica clássica do antigo supercontinente Gondwana no Brasil, Coluna White, tendo sido classificada como um dos sítios geológicos brasileiros, pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos.






Esta coluna foi descrita pela primeira vez pelo geólogo americano Israel. C. White, em 1908, quando da publicação do Relatório Final dos levantamentos desenvolvidos durante 1904 a 1906, para a Comissão de Estudos das Minas de Carvão de Pedra do Brasil. Colaboraram John H.Macgregor e David White, apoiados por uma equipe composta por técnicos e funcionários brasileiros. Os estudos realizados resultaram num vastíssimo acervo de dados sobre os carvões sul-brasileiros, estratigrafia e paleontologia da Bacia Sedimentar do Paraná. A partir desta data, esta coluna estratigráfica ficou consagrada como Coluna White, em homenagem àquele pioneiro.  



A relação da região com o setor mineral brasileiro data de 1841, quando a presença de "carvão de pedra" foi constatada por técnicos e cientistas brasileiros e estrangeiros em missão do Governo Imperial Brasileiro. Em 1903, o então Governador Vidal Ramos inaugura uma estrada que partindo da atual localidade de Lauro Müller, permite o acesso até São Joaquim e Lages (a "Estrada Nova").



A Formação Rio do Rastro é uma formação geológica da Bacia do Paraná, que ocorre na Região Sul do Brasil, principalmente nos estados de Santa CatarinaParaná e Rio Grande do Sul (geoparque da paleorrota). É constituída por rochas de origem sedimentar, principalmente siltitosargilitos e arenitos finos. O principal recurso mineral explorado são as argilas, empregadas nas cerâmicas. No início dos anos 80, a rodovia  SC-438, que percorre a Serra, foi pavimentada e, posteriormente, no trecho do aclive mais espetacular, iluminada.

Por volta das 18h45min chegaram ao pé da Serra, mas Jorge decidiu subir e descer novamente.

Depoimento Andréa: “Foi engraçado, Jorge perguntou: Vamos fazer de novo! Perguntei a ele: Você não está cansado? Ele respondeu: “Muito, mas não sabemos quando estaremos por aqui de novo, então vamos!” Estávamos na verdade exaustos, mas foi ótimo, realmente valeu a pena!”

O pessoal do carro não acompanhou e ficou esperando nosso retorno. Se reencontraram por volta das 19h30min e seguimos viagem para Criciúma.


Depoimento Paula: "Saímos rumo as Serras, primeiro passamos pela Serra do Corvo Branco, lugar MARAVILHOSO, estrada de terra e às subidas bem íngremes, pensamos algumas vezes que o carro não subiria, dava um frio na barriga...rsrsrs Mas vale cada centrimetro de terra e frio na barriga, espetáculo!!! A cachoeira Véu da Noiva, legal, mas acho que faltou água...rsrsrs Adorei a Pedra Furada, que vista linda, muitas montanhas, verde, DEMAIS!!!! A parada no Schoko Haus para um chocolate quente eh obrigatória, (principalmente se for chocólatra como eu..rsrsrs) muuuuito gostoso e com friozinho então... Hummmmmm As donas super simpáticas! A Serra do Rio do Rastro também muuuuuito legal, cheio de curvas beirando as montanhas, cheio de hortênsias deixando-a ainda mais bonita! Adoramos!"

Chegaram a Criciúma as 08h30minh. A noite já chegava, após um longo e belo dia.



Depoimento de um Lascado (Douglas): “Pra mim as serras catarinenses foram uma boa surpresa, as mais belas que eu já andei no Brasil. Eu sei que de carro não é a mesma sensação, mas quem parar lá em cima da serra do Rio do Rastro vai apreciar uma vista realmente linda, a serra absurdamente sinuosa e cheia de hortênsias da um toque especial ao visual, acho tb porque vc sabe que logo vai estar passando por ali em todas aquelas belas curvas, e o melhor, vc sabe também que não esta indo para o trabalho”.

Hospedaram-se no Hotel Ibis, onde comemoram uma pizza e beberam vinho para comemorar a aventura.


Depoimento Jorge: “Aí está um passeio que eu diria obrigatório para quem é motociclista da região sul e sudeste do Brasil. Isso também vale para algum maluco que venha do nordeste, como eu...rsrsrs. Pelo fato de ser estrada de terra com muito pedrisco, achei melhor subir a Serra do Corvo Branco e depois descer a Serra do Rio do Rastro (e também subi-la e descê-la novamente...). É muito bonito e com certeza vale a pena. Com certeza as motos Trial levam larga vantagem, mas acho que com o devido cuidado dá pra fazer tudo isso com qualquer moto“.


Serra do Rio do Rastro em Imagens!







Para saber mais:



Total de Km Rodados: 387
Abastecimento: 40 litros
Hospedagem: íbis Hotel: Valor da diária: R$ 109,00
Rede de hotéis que evitam surpresas. Excelente para dormir e tomar um bom banho.
Contras: Não tem café da manhã incluso, estacionamento pago a parte.

Gasto total (com alimentação): R$ 310,15

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