Casal Aventura

Casal Aventura

12 de fevereiro de 2012

Despedida das serras catarinenses




3º. Dia – 20.12.2011

Criciúma - SC 
ao Rio Grande (Praia do Cassino) - RS


Saíram de Criciúma por volta das 07h do hotel, mas as 08h de Criciúma, após tomar café da manhã em um restaurante na estrada. O roteiro inicial deste dia era de 748 km e os levaria até o Chuí, mas “confusões” do caminho permitiram que chegassem apenas até Rio Grande, onde tiveram que ficar hospedados na Praia do Cassino, mas esta é a história que vamos contar hoje.


Criciúma é um município localizado no estado de Santa Catarina. É a principal cidade da Região Metropolitana Carbonífera e a quinta cidade mais populosa do estado, com mais de 194 mil habitantes.

O nome Criciúma deriva de uma gramínea brasileira (Criciuma asymmetrica, que é aparentada com a Chusquea ramosissima), que parece um bambu e era bastante encontrada na região. No idioma indígena local, o nome Criciúma corresponde a "taquara pequena".

A fundação de Criciúma aconteceu somente no final do século XIX, durante o ciclo da imigração européia. A data de 6 de janeiro de 1880 é considerada como aquela da fundação e início da colonização do município, com a chegada das primeiras famílias de italianos provenientes da região do Vêneto, norte da Itália. Era um total de 22 famílias, que somavam 141 pessoas. Esses imigrantes, apesar de encontrarem inúmeras dificuldades, foram responsáveis por desbravar a região, construindo casas, estradas e escolas e tendo no princípio a agricultura como principal atividade econômica.

Em 1913, tem início o ciclo do carvão, com a descoberta das primeiras jazidas do minério. Este fato foi o grande propulsor do desenvolvimento econômico do município, gerando empregos e atraindo investimentos, tendo seu auge entre as décadas de 1940 a 1970. Durante este período, Criciúma ficou conhecida como a “Capital Brasileira do Carvão”. Em Criciúma fica uma das maiores reservas de carvão mineral do país, famosa também pela produção de pisos e azulejos. Lá fica a primeira mina-modelo do Brasil, aberta à visitação desde 1984 e que funcionou entre 1920 a 1955. O percurso de 150 metros é percorrido em vagonetas e termina em um museu onde os visitantes encontram fotografias, documentos e ferramentas.

A emancipação de Criciúma ocorre em 1925, com o seu desmembramento da comarca de Araranguá. A partir de 1947, a indústria cerâmica passa a desenvolver-se no município, assumindo papel de fundamental importância no contexto econômico da região, elevando Criciúma a um dos grandes pólos produtores mundiais, sendo a cerâmica criciumense reconhecida pela sua qualidade.

Em 07 de dezembro de 2000, resgatando suas origens, Criciúma tornou-se cidade-irmã de Vittorio Veneto, cidade italiana berço de muitos imigrantes que contribuíram para a fundação do município.

Ao sair de Criciúma pegamos a BR 101 e por todo o tempo temos a companhia das serras catarinenses que nos acompanham ao longe. 

Para chegar a Rio Grande, temos duas opções de estrada, a BR 101 e a BR 116. Os motociclistas tinham decidido que iriam pela BR 101, pois queriam passar pela Lagoa dos Patos, que pelo mapa parece beirar a estrada em vários pontos. 

Porém, por volta das 09 h, moto e carro se separam quando a moto fez uma parada em Sombrio para troca do óleo. Encontraram na beira da estrada, bem na entrada da cidade, a Oficina Tuba Motos, cujo dono, o Tuba (Vagner - este aí deitado ao lado da moto), os recebeu super bem, foi muito simpático e contou o motivo de seu apelido: Tubarão, dizendo que seus pais viviam na cidade que leva este nome e na escola todos os amigos o chamavam assim, com o tempo mudou para Tuba, apelido que carrega até hoje e que deu o nome a sua oficina. Contou que é casado e pai de dois filhos. Enquanto os viajantes de carro seguiam à frente, a moto ficou parada por uma hora e meia na oficina e acabaram se separando pelo caminho. 

Em Osório, por volta das 11h, a moto pegou a saída para a BR101, Estrada do Mar, mas ao falar com o pessoal do carro, souberam que eles já estavam em Gravataí, e seguiam pela BR116, não valendo a pena retornar. Combinaram que cada um faria seu caminho até Rio Grande e lá seguiriam juntos ao Chui.
Uma das primeiras vistas da estrada é o Parque Eólico de Osório. Uma usina de produção de energia eólica com 75 aerogeradores de 2MW. A produção efetiva média é de aproximadamente 51MW (suficiente para uma cidade de 240 mil habitantes). É a maior usina eólica da América Latina e a segunda maior do mundo (em 2006). As torres do parque podem ser vistas das auto-estradas BR-290 e RS-030 e de praticamente todos os bairros da cidade.



O parque tem 75 torres geradoras, dispostas no terreno de Osório em uma única linha reta, e nos de Índios e Sangradouro em duas linhas paralelas, com espaçamento de 175 m entre as torres.  Cada torre tem 98 metros de altura e 810 toneladas de peso; é formada por 24 segmentos de concreto pré-moldado e um de aço, construídos em Gravataí e montados no local. Cada torre está assentada em uma base de concreto de 430 m3 suportada por 32 estacas de 20 a 35 m de profundidade e 50 cm de diâmetro. As hélices têm diâmetro de mais de 70 metros e atingem até 140 metros acima do solo. As pás das hélices, de 35 metros de comprimento, foram fabricadas em Sorocaba (SP) pela Wobben Windpower.

Após percorrer alguns quilômetros e já com a fome típica do horário do almoço, os motociclistas pararam em uma Lancheria (nome dado às lanchonetes no RS), em um Posto Ipiranga, localizado em Capivari do Sul. O garçom ofereceu várias “torradas” da simples a mais recheada, mas como não sabiam o que era, decidiram não arriscar e comeram algo mais conhecido: um pastel e um hambúrguer. Mas não resistiram em pedir a bebida que estava na mesa de todos que almoçavam por ali: um refrigerante local, bem adocicado mas gostoso, com opção de vários sabores, entre eles uva, limão, laranja: Fruki. 

A opção em pegar esta estrada, além da indicação de muitos “viajeiros” que falam de sua beleza e da possibilidade de ver espécies de pássaros e até jacarés. Além de o mapa mostrar a proximidade da estrada à Lagoa dos Patos. Mas a realidade não conseguiu superar as expectativas. 


Depoimento dos motociclistas: “A lagoa não pode ser vista, a não ser que se pegue alguma estradinha de areia fofa por cerca de uns 5 km, o que seria impossível para fazer com esta moto. E a BR101 é em sua maior parte boa, bem pavimentada, mas com pedaços ruins que surgem de repente, sem qualquer sinalização. No fundo, no fundo, foi uma decepção, pois ficamos o tempo todo na expectativa de que a lagoa surgiria aos nossos olhos a qualquer momento, o que não aconteceu".


Depoimento Andréa: “A estrada é muito bonita e realmente podemos ver inúmeros pássaros, plantações de arroz e cebola (embaladas nestes sacos coloridos da foto) e inúmeros aviões coloridos que sobrevoam as fazendas. Pude até ver um jacaré na beira da estrada, na parte alagada, mas infelizmente não deu tempo de fotografar. Vocês terão que acreditar em mim rsrsrsrsrsrsrsrsr”.


Enquanto os motociclistas tinham suas aventuras, o pessoal do carro também curtia a viagem e suas belezas. Por estarem de carro, conseguiram sair da estrada principal e visitaram a Lagoa dos Patos na altura de São Lourenço do Sul. Em função de estarem cansados e dos km que ainda faltavam para chegar ao Chuí, optaram por parar em Rio Grande e foram informados que o melhor lugar para se hospedar era na Praia do Cassino, para onde seguiram viagem.


O casal sob duas rodas chegou a São José do Norte às 16h, e ao chegarem à balsa, a viram saindo do cais, não estava a mais que alguns metros de distância, mas não teria como retornar, foram informados que a próxima seria somente depois de 1h30m. Indicaram que tentassem colocar a moto em uma escuna, uma lancha, que também faz a travessia, mas dos pedestres. Todos se mobilizaram para ajudá-los a passar a moto pela cabine de cobrança, mas impossível, o guidão era grande demais. Motos pequenas com certeza conseguem fazer esta façanha. 

Aproveitaram que iriam ter que esperar e foram tomar um lanche num “boteco” chamado Lancheria Recanto do Café, daqueles bares de interior, onde as atendentes são jovens meninas, os homens bebem no balcão, com direito a fumar dentro do bar e jogar as cinzas no chão. Forma de conhecer a realidade local de perto! 

Mas neste local foi que souberam o que são as famosas “torradas”, pois Andréa decidiu se informar e pedir uma para cada um para experimentar. Aprenderam que as torradas simples são lanches de presunto e queijo, feitos em um pão de forma gigante, um só já teria alimentado o casal. As mais sofisticadas são acompanhadas de ovos, bacon, tomate e outros recheios a gosto do freguês. 

Depoimento Andréa: “Demos muita risada ao lembrar-se do garçom na hora do almoço tentando dizer as inúmeras opções de torradas que o restaurante oferecia e a gente não conseguia imaginar o que era e pensávamos somente na torrada que conhecemos kkkkkkkkkk".


Retornaram ao local de saída da balsa e acharam divertido que todas as pessoas que se encontravam por lá já sabiam que eles eram o casal de motociclistas da Bahia que tinham perdido a balsa anterior. 

Enquanto aguardavam a balsa que só chegou às 17:45h, se divertiram com os cães que são a atração do lugar e que se jogam na água para pegar as madeiras que são jogadas pelos passageiros que usam a balsa diariamente para trabalhar. O mais engraçado é que depois de sair da água, os cachorros se secam aos chacoalhões, molhando as pessoas e veículos que estão à espera da travessia. 

A balsa carrega o pessoal que faz a travessia diariamente para trabalhar, estudar, ou fazer compras. Mas o que impressiona é a quantidade de carretas, isso mesmo, carretas enormes e pesadas que são levadas de um lado a outro. As carretas ficam esperando na estrada o aviso de seguirem em direção à balsa, pois não caberiam dentro da cidade caso decidissem esperar por lá. A balsa saiu carregada às 18h, atrasando o roteiro do dia, chegaram ao outro lado, em Rio Grande, as 18h25m. 

Decidiram se unir aos companheiros de viagem e indo encontrá-los na Praia do Cassino, aonde chegaram por volta das 19h. Aproveitaram para dar uma volta na vila, formada por um belo canteiro em forma de praça, muito movimentada, onde as pessoas assistiam a apresentações de Natal. Comeram em uma Doceria e Lancheria.

A Praia do Cassino está localizada na cidade do Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul. Com mais de cem anos, é considerado o balneário marítimo mais antigo do Brasil (1890). Foi criada para ser um centro de turismo, pela Companhia de Bondes Suburbanos da Mangueira, subsidiária da Companhia Carris Urbanos, tomou vantagem da linha férrea entre Bagé e Rio Grande, que foi depois expandida até a então Costa da Mangueira. 

Ao ser inaugurada em 26 de janeiro de 1890, abrangia três quilômetros ao longo da costa por dois quilômetros de largura, cortados ao meio por uma linha férrea que levava ao Rio Grande. Mais tarde, recebeu a denominação de Villa Sequeira, em homenagem ao seu idealizador. 

O balneário do Cassino tornou-se o centro de lazer de grandes empresários - em geral descendentes de alemães, portugueses, ingleses ou italianos que vinham com muito dinheiro para se deliciar com luxuosidade do Hotel Atlântico. Sendo assim, a origem do nome Cassino, seria justamente por causa dos jogos que eram realizados no hotel. A perseguição a italianos e alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, e a proibição do jogo de roleta, em 1946, causou danos à economia local. Nos últimos anos, o balneário conseguiu reverter essa situação com uma série de atrações e curiosidades turísticas. Em 12 de novembro de 1966, foi cenário de lançamentos de foguetes da NASA, durante um eclipse total do sol, reunindo cientistas e populares. Nos últimos anos, o carnaval de rua na Av. Rio Grande tem atraído bastante o público e os blocos.

Consta no Guiness Book (Livro dos Recordes) como a maior praia em extensão do mundo - tendo assim mais de 240 km de comprimento, se estendendo desde a cidade do Rio Grande até o Chuí. A praia começa em Molhes da Barra (muros de pedras mar adentro), no Balneário Cassino, aproximadamente 18 km de Rio Grande, até a Barra do Chuí, em Santa Vitória do Palmar. 

A imensa praia é marcada pela presença de milhares de aves nativas e migratórias e a vigilância de 04 faróis: Sarita, Verga, Albardão e Chuí. Repleta de lagoas que se ligam com o mar e uma grande faixa de dunas, também é conhecida como Cemitério de Navios. A maior parte da Praia do Cassino ainda permanece intacta. Suas areias continuam sendo visitadas por pingüins, leões e lobos marinhos que fogem do inverno antártico.

Mais imagens!


Para saber mais:


Total de Km Rodados: 533
Abastecimento: 37 litros
Hospedagem: Hotel Cassino: Valor da diária: R$ 91,00
Hotel simples, mas organizado e limpo. Excelente localização.
Com estacionamento e café da manhã.

Gasto total (com alimentação): R$ 248,00

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