Casal Aventura

Casal Aventura

26 de fevereiro de 2011

A volta com cara de continuidade!!!

12.12.2010
San Pedro de Atacama - Calama

Chegaram de volta a San Pedro por volta das 11:30h e receberam a notícia que teriam que sair da pousada até as 12h, ou pagariam outra diária, e como pretendiam ir para Calama, ainda nesta data, correram para se arrumar... Ponto negativo para “Don Raul”. Conseguiram sair da pousada por volta de 13h., após um bom banho e arrumação rápida da bagagem. Acho que neste momento foi quando esqueceram as folhas de coca encomendadas por um amigo (que eles não citarão o nome para não criar constrangimentos rsrsrsrs).

Depois de muito ler, estudar e pensar sobre esta viagem, Jorge aprendeu algo importante e interessante com os “viajeiros” de plantão: NUNCA VOLTE PELO MESMO LUGAR!!!

Depoimento Jorge: “Voltando pela mesma estrada, você verá os mesmos lugares e estará fazendo uma viagem, se fizer um caminho diferente para voltar, a viagem parecerá duas, pois você irá conhecer lugares diferentes... Foi o que fizemos, traçamos um percurso que iria nos levar a novas aventuras. Bem diferentes das que tivemos até aqui, posso garantir!!!!”.






Decidiram ir embora um dia antes do programado após Jorge saber que havia apenas uma mecânica para trocar o óleo da moto e que o óleo existente não era muito confiável. Calama é uma cidade próxima, bem maior, que iria atender as necessidades dos viajantes quanto ao assunto segurança e cuidados com o meio de transporte.
De volta à estrada, deixaram San Pedro por volta das 13h, sabendo que muito ainda havia por conhecer e com a certeza de que um dia irão retornar. Durante muito tempo na estrada em direção a Calama tiveram o Licancabur como companhia e proteção.

A estrada se manteve bem sinalizada, bem cuidada e com as paisagens desérticas, formada por grandes campos de areia e pedra, que se perdiam de vista, estavam na Cordilheira de Sal.

Em meio a esta secura toda, Andréa fez sua primeira parada na estrada para necessidades fisiológicas, já que não havia nada, nenhum lugar onde pudesse usar o banheiro. A seca era tanta que Andréa e Jorge acreditam que irá nascer uma planta no local usado!!!

Nesta estrada o casal teve seu primeiro contato com estes “seres estranhos”, são redemoinhos... mas por enquanto eles estavam distantes... embora alguns bem grandes!

Os redemoinhos, torvelinhos, redemoinhos-de-poeira, pés-de-vento ou diabos de poeira (em inglês: dust devil) são ventos em espiral formados pela convecção do ar, em dias quentes, sem ventos e de muito sol.

Em relação ao vento, acho que Jorge pode falar melhor!!

Depoimento Jorge:
“A partir deste trecho pudemos sentir a força do vento no deserto. Andávamos por uma planície enorme, pedras e areia para todos os lados, a perder de vista. O vento me fazia andar com a moto muito inclinada, muito mesmo!
O primeiro caminhão que fui ultrapassar nesta estrada me fez tomar um susto e tanto. Até me aproximar dele, estava com a moto inclinada para a direita, e a uma velocidade não muito maior que a dele. Quase a moto entra debaixo da carroceria, pois como ela estava muito inclinada para a direita e o vento cessou de repente assim que entrei ao lado dele, ela jogou de uma vez na direção dele e precisei fazer uma manobra brusca para corrigir a trajetória.
Acelerei pra passar logo aproveitando a “proteção” contra o vento que o caminhão proporcionava, mas quando estava acabando de passar pela cabine o vento veio de uma vez e muito mais forte, pois além do vento havia a massa de ar que o caminhão deslocava para os lados. A moto foi deslocada uns 3 metros para a esquerda e quase fui parar fora da pista...   Nova manobra radical para corrigir a trajetória e acelerador pra que te quero, pois o caminhão estava logo atrás...
Nas próximas ultrapassagens fiquei mais esperto até que dominei a técnica de ultrapassar caminhões com vento lateral forte.
A tecnica consistia em aumentar bem a velocidade antes de ultrapassar o caminhão. Um instante antes de entrar no vácuo da carroceria, eu levantava a moto na posição correta e deixava o vento me empurrar um pouco pra esquerda, me afastando do caminhão enquanto eu passo pela carroceria, e quando estou quase terminando de ultrapassar a cabine eu jogo a moto com tudo na frente do caminhão, como se fosse dar uma fechada bem forte nele, inclinando a moto para a direita. O momento da “fechada” coincide com o retorno do vento lateral aumentado pelo deslocamento do caminhão, e apesar de ter inclinado muito a moto, ela não vai nem um centímetro para a direita e continua andando em  linha reta... 
Ah, pra dar uma idéia de quanto o vento do deserto é forte, ora de lado, ora de frente (e nessa hora é bom ter motor...): a bolha da moto trincou!!!”

Os redemoinhos ocorrem quando o solo se aquece em determinado ponto, transferindo esse calor à porção de ar que está parada logo acima dele. Quando atinge uma determinada temperatura, esse ar sofre rápida elevação, subindo em espiral e cria um mini centro de baixa pressão. Devido ao princípio da conservação do momento angular esse redemoinho ganha velocidade e acaba levantando a poeira do solo, fazendo com que um funil de 'sujeira' seja visível. Ele pode apresentar desde alguns centímetros até muitos metros de altura.

Frequentemente esse fenômeno é confundido com um tornado, porém vale salientar que, ao contrário dos tornados, os redemoinhos de poeira somente se formam em dias sem nuvens, sob muito sol e calor e baixa umidade do ar. Além disso, a velocidade dos ventos desse fenômeno raramente ultrapassa os 100 km/h, podendo causar apenas pequenos estragos, tais como destelhamentos leves.

Outra curiosidade é a quantidade de antenas de transmissão que os viajantes viram pelo caminho, quase todas as estradas por onde passaram, elas estavam lá... gigantes e em milhares, que se perdiam das vistas.


E ao fundo é possível ver a Cordilheira de Domeiko, que divide o Deserto do Pacífico, mas isto faz parte do próximo capítulo.

Durante todo o percurso, puderam ver inúmeras picapes, em sua maioria vermelhas, que circulam por toda esta área. Andréa deu o nome de carrinho Playmobil (quem não se lembra???), pois todas são exatamente iguais, possuem antenas gigantes, números enormes nas portas e um radar no teto.


De longe é possível avistá-las, andando de um lado pro outro em meio à secura do deserto.


Chegaram a Calama por volta das 15:30h, após algumas buscas, já que não tinham se programado para ficar nesta cidade, encontraram um bom hotel, Hotel Alfa, onde puderam tomar um banho.

Calama é uma cidade no deserto de Atacama, no norte do Chile. É a capital da província de El Loa, parte da Região de Antofagasta. Calama é uma das cidades mais secas do mundo, com precipitação média anual de apenas 5 mm (0,20 in). O rio Loa é o mais longo do Chile e atravessa a cidade. Calama tem uma população de 143.000, segundo o Censo de 2005. O município também abrange as comunidades quéchuas Estación de San Pedro, Toconce e Cupo, e as comunidades Lickan-Antay de Taira, Viejo Conchi, Lasana, São Francisco de Chiu Chiu, Aiquina-Turi, e Caspana. Encontra-se a uma altitude de 2.260 m, Calama é a porta de entrada para as maravilhas geológicas e arqueológicas do deserto do Chile Central.

Há uma variedade de hipóteses no que diz respeito à origem do nome "Calama," mas as duas principais afirmam que sua origem vem da língua Kunza, falada no passado pela Antay-Lickan, um grupo étnico que até hoje reside na província de El Loa.


Enquanto procuravam o hotel notaram que a cidade é bastante organizada, limpa e tem um bom centro comercial, tem um ar de cidade de interior, possui até um shopping, o Shopping Plaza, que se encontra em ampliação. Também em Calama está o Aeroporto de onde chegam vôos de todo lugar, lotados de turistas que vêm conhecer San Pedro de Atacama.

Animaram-se em ver um pouco de cidade grande e decidiram ir até o shopping para almoçar, já que estavam apenas com o churrasquinho de lhama no estômago. Após almoçar, Andréa, que não é de ferro, decidiu dar uma volta e olhar um pouco as lojas, ver a moda chilena (muito parecida com a brasileira, mas bem mais colorida e mais barata).
Enquanto Jorge a aguardava na frente da loja, foi abordado por um casal que perguntou se ele era dono da moto parada na garagem. Vale ressaltar que não há estacionamento próprio para motos, depois o casal percebeu que ela era a única moto estacionada no shopping (aliás, as vagas estavam lotadas de carrinhos playmobil) e que Jorge era o único a carregar capacetes, o que facilitou ser encontrado rsrsrsrsr. Também pouco se vê motos pelo trânsito, possivelmente devido ao clima não muito propício ao seu uso.

O casal era Javier, um brasileiro do sul e Mabel, uma chilena adorável. Ele veio para Calama e trabalha adivinhem aonde?? Isso mesmo, em Chuquicamata. Explicou que tem muita gente que veio de fora para trabalhar na mineradora que é a base da sustentabilidade da região. Ambos estão programando fazer a mesma viagem que fizemos, porém inversa, em 2011 e ao verem a placa do Brasil, e encontrar o Jorge com capacetes, decidiram parar para conversar. Trocaram várias idéias, telefones e emails, inclusive Javier indicou uma mecânica, já que Jorge explicou que a passagem por Calama se deve a necessidade de trocar o óleo da moto e fazer uma revisão rápida para a volta.

Javier também tirou todas as dúvidas da Andréa, sobre os Playmobil!! São vermelhos para serem vistos facilmente em casos de emergência, de se perderem no deserto, já que se destacam em meio ao cinza, sua antena gigante, que fica a maior parte do tempo dobrada e presa, é para serem usadas dentro das minas e que facilita serem vistas pelos ainda mais gigantes tratores que andam pelas minas, os números identificam as empresas e o funcionário, para facilitar a entrada nas minas e o radar no teto é o GPS e o rádio comunicador. Infelizmente não tiveram idéia de tirar uma foto, mas aí vai uma encontrada na internet.

A cidade de Chuquicamata, que fica a 15 km do centro de Calama, em direção a Tocopilla, é um dos locais interessantes para visitação e é onde se encontra a maior mina a céu aberto de cobre do mundo, porém a cidade sofreu com o avanço das mineradores, que estão devastando seus arredores, fazendo com que moradores antigos abandonassem suas residências e se mudassem para Calama. A mineração tem sido benéfica, no sentido de desenvolvimento para a região, Calama já conta com inúmeros bons hotéis e andando pela cidade é possível ver um enorme canteiro de obras, já que por todos os lados para onde se olha, se vê construções de condôminios, shoppings, cassinos e outros grandes empreendimentos.

Durante muitos anos esta foi considerada a maior mina de exploração do mundo em produção anual, mas recentemente foi superada pela Mina Escondida. Todavia, Chuqui permance como a maior em produção total e tamanho totalizando 29 milhões de toneladas de cobre em 2007. A Chuqui têm sido um fator importante da exportação chilena e ainda hoje continua representando 1/3 do comércio nacional já tendo sido responsável por 8% do PIB.

Apesar de 90 anos de intensa exploração, esta ainda permance como um dos maiores reservatórios do planeta. Também é a maior mina do planeta com 4,3 km de comprimento, 3 km de extensão e 850 metros de profundidade, além de ser uma referência mundial na produção de Molibdênio.

Infelizmente não foi possível para o casal realizar a visita à Chuquicamata, que estava nos planos da viagem, pois é necessário agendar com antecedência e têm dias e horários certos de visitação, que não incluía o dia em que estariam em Calama.

Segundo o casal que conhecemos, a cidade, antes da mineradora, era apenas uma pacata cidade de interior, perdida no deserto, atualmente é conhecida muldiamente e tem gente de todo lugar que vem para trabalhar com a mineração. Para os moradores mais antigos e conservadores, a cidade perdeu seu ar de tranquilidade e com o desenvolvimento também surgiram suas mazelas.

Depoimento Jorge:
“Este brasileiro que mora no Chile há 6 anos e me abordou no shoping, o Javier, tem uma Honda Transalp, e está em fase de preparação para a viagem dos sonhos dele. Pretende sair de Calama e fazer o mesmo caminho que fizemos de Foz do Iguaçu até aqui, atravessando a cordilheira pelo Paso de Jama. Depois disso ele segue em direção a Florianópolis, se não estou enganado.
Neste momento me senti um destes moto-aventureiros super experientes, como tantos que eu conversei quando estava montando o roteiro da minha viagem, para dar um monte de dicas interessantes para ele que faria sua primeira grande viagem de moto com a esposa na garupa. Falei da Quebrada de Cafayate, Tafi Del Valle, evitar a região do Chaco argentino por seu calor insuportável, e mais um monte de dicas que recebi e que estava agora tendo a oportunidade de passar adiante para que mais alguém pudesse realizar seus sonhos de fazer uma viagem fantástica sobre uma moto, assim como eu estava realizando o meu.”

Para conhecer mais:

Total de Km Rodados: 114
Abastecimento: 10 litros
Hospedagem: Hotel Alfa - http://www.hosteriacalama.cl/
Valor da diária: $ 33.800 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 170,00*
*Não incluso valor das entradas dos passeios:
Complexo Turístico Tatio: $ 5.000 por pessoa
(Câmbio do dia: 288 pesos = 1 real)

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