Casal Aventura

Casal Aventura

21 de fevereiro de 2011

Imagens Mágicas...e MAGNÍFICAS!!!!

Deixaram o Salar em direção às Lagunas Altiplânicas, estas Lagoas estão a cerca de 90 km de San Pedro, e a mais de 4.000 m.s.n.m., são as Lagunas Miscanti e Miñiques, que são alimentadas pelas fontes de água que vêem da superfície da terra e atraem uma grande variedade de animais. Estas lagoas têm esta denominação por se encontrarem nos altiplanos, um planalto localizado entre duas cadeias de montanhas, ou no cume destas.


Para causar mais impacto, a van para a alguns metros da Laguna, de um ponto onde ainda não se pode avistá-la, os turistas vão caminhando e eis que ela surge, a água de um azul que chega a doer as vistas, rodeada de um branco (sulfra), o mesmo que está no cume dos vulcões e que lhe confere um charme e uma beleza inexplicáveis.






A paisagem ao redor das lagunas é caracterizada por vulcões e relevos montanhosos, se destacando os Vulcões Miscanti (5.622 m.s.n.m.) e Miñiques (5.910 m.s.n.m.), que dão nome às lagoas, fazem parte da Reserva Nacional e estão situadas na comunidade atacamenha de Socaire, a 110 km ao sul de San Pedro de Atacama.




O passeio, como já mencionado, é realizado em fila indiana, por demarcações que não podem ser ultrapassadas. Eles preservam muito suas belezas naturais, cuidando para que não se acabem. Em nenhum destes espaços é permitido fumar, mesmo que você cuide da “bituca”, pois acreditam que até mesmo as cinzas que voam do cigarro podem prejudicar a vida das espécies que habitam estas bandas, e como a “casa” é delas, todos respeitam.


Nesta lagoa várias espécies são encontradas, cerca de 94 espécies de vertebrados, 18 de mamíferos, seis de répteis e uma de anfíbio, além de 69 de aves, como a parina chica, caitó, playero de baird, chorlo de La puna, pato juarjual e a guallata, mas a que chama a atenção é a Tagua Cornuda, ou Wári, na língua kunza, espécie em extinção, cujos ninhos são feitos pelas aves na água.



A flora é composta principalmente pela llareta, que é uma pequena planta de florescimento entre 3200 e 4500 metros de altitude, que tem folha todo o ano e prefere os solos arenosos, estando bem adaptada às altas taxas de insolação, não podendo crescer na sombra. É uma planta compacta, a fim de reduzir o calor, as perdas e para estar mais próximo ao solo, onde a temperatura é cerca de dois graus superior. Seu crescimento foi estimado em cerca de 1,5 cm por ano e muitas tem mais de 3.000 anos de idade. Outra planta é a palha brava, que tem característica muito parecidas com a llareta.



A Laguna Miñiques, cuja superfície tem 1,5 km quadrados e se encontra a uma altitude de mais de 4.100 mts, recebe água subterrânea de sua vizinha Miscanti.



Antigamente a paisagem era diferente, pois as águas provenientes do degelo dos vulcões  escorriam livremente até o Salar de Atacama, no entanto, devido a uma erupção do vulcão Meñiques (alguns escrevem com “e” outros com “i”) ocorrida a 1 milhão de anos, se originou o estancamento das águas, criando as lagoas. Um fluxo de lava da erupção separou as Lagunas Miscanti e Miñiques.

Em certos lugares, ao redor das lagos, é possível encontrar vertentes de água doce que é utilizada para consumo humano e também é aproveitada para ‘bebedouro’ dos animais existentes na região. Nas áreas altas da bacia se encontram algumas espécies de plantas medicinais como: senecio (chachacoma), mulinum (susurco) , phacelia, artemísia (copa) e acantholippia (pingo-pingo). Também se pode observar mamíferos como guanacos, vicunhas, alpacas e lhamas.
No fundo das lagoas se encontram algas aquáticas, que são parte fundamental do alimento de alguns animais invertebrados que são, por sua vez, alimentos das aves que utilizam as lagoas. A área toda forma parte dos campos de pastoreio de Socaire.
Nesta região se encontram sítios arqueológicos dados por fragmentos de cerâmica, pontas de flecha e 40 construções circulares de pedra, o que demonstra a ocupação deste lugar a cerca de 4.000 – 3.000 anos A.C..
Depoimento Andréa:
“A cada passo, surgem imagens mais deslumbrantes... as lagoas, naquela altitude, rodeada de vulcões que um dia estiveram ativos e contribuíram para criar aquela paisagem... pensar em tudo isso é ao mesmo tempo amedrontador e fantástico. A sensação de frio e calor causada pelo deserto e pela altitude é nova para brasileiros acostumados a temperaturas estáveis e baixa altitude”.

 
Depoimento Jorge:
“Não se deixem enganar pelo sol e pelo céu limpo: estava frio pra caramba! É muito legal estar em lugares maravilhosos como estes e perceber que ainda existe locais onde a natureza esta absolutamente intocada.”








Depois de conhecer as Lagunas, a turma foi almoçar em Socaire (que significa quebrada do vento), uma vilazinha com vista para o Salar do Atacama, localizada a cerca de 100 km de San Pedro, a 3.500 m.s.n.m. A cidade foi construída em pedra, terra e coberta de palha, madeira de cactos, é fantástica, onde vivem seus cerca de 380 habitantes.



A cerca de 3.000 a 4.000 anos atrás, viviam nesta área cerca de 5 mil pessoas, os atacamenhos, que praticavam a agricultura como forma de sobrevivência.
A economia local é dominada pela agricultura e mineração não-metálico, principalmente de sal, também por seu artesanato, como os de tecidos tradicionais de lã de ovinos e camelideos.

Socaire é o último povoado que se despede do turista que sai de San Pedro pelo paso Sico (sem asfalto). Antigamente foi importante por suas minas de ouro que ficavam próximas à fronteira da Argentina.

Nesta vila retirada dos livros, se pode conhecer os terraços agrícolas incas, milenares, que fazem parte da paisagem. Seu clima desértico contrasta com o verde das plantações de quinua. Sua temperatura é marcada pela oscilação entre o dia e a noite, com temperatura ao meio do dia que variam de uma máxima de 25º.C e mínimas de 17º.C, chegando abaixo de Oo.C na noite.

Hoje Socaire é conhecida por sua cozinha típica atacamenha, por isso a escolha de se almoçar neste “pueblo” tão diferente.

Almoçaram na Cocinera Santa Bárbara, comeram uma sopa deliciosa de entrada, que mais parecia prato principal, mas o principal foi Lhama ensopada com salada  e quinua.
   
Aproveitaram para conhecer a Igreja do povoado,  mas que estava fechada. A igreja foi construída na época da chegada dos espanhóis, pois acreditavam que desta forma estariam abençoando a agricultura realizada na região.

A igreja é o principal patrimônio histórico do povoado, oferece uma mostra artística da temática religiosa, que conta com obras do período colonial. É rodeada por um perímêtro de cerca de 16 metros profundidade e 8 mts de largura, construído de pedra com barro argiloso que contém palha de trigo.


Seu pórtico mede 2 mts de altura e 1 mt de largura, sendo que os muros tem a largura de 1 metro. A largura da nave é de 4 metros e a igreja conta com suportes anti-sismicos, que evitam que seus muros desabem tanto para dentro da igreja como para seus lados. Cada suporte tem altura de 2 mt e largura de 1 metro e meio, com profundidade superior a 30 cm. Seus teto é coberto de palha com barro, e as vigas são de algarrobo e chañaar, duas árvores locais. Seu piso é de pedra. O campanário, separado da igreja por dois pisos, foi construído com pedra vulcãnica e conta com dois sinos de bronze.

E fotografar, conversar, perguntar sobre os costumes, tradições e a história local.

Como o costume de usar flores artificiais para enfeitar os cemitérios, as igrejas (veja a cruz no alto), os túmulos (como este da foto), templos, devido a escassez de flores naturais, o que confere um colorido fantástico, já que as “flores de plástico não morrem”, vão se juntando, e ficando tudo cada vez mais colorido.





De Socaire, com o Salar do Atacama os acompanhando, se despedem deste pueblo tão único em meio ao deserto, e seguem para Toconao.


Toconao é um oásis de água doce localizado a cerca de 38 km de San Pedro, encontra-se a uma altitude de 2.485 m.s.n.m., perto da margem nordeste do Salar de Atacama. Os atacamenhos habitaram esta região há aproximadamente 11.000 anos atrás. Sua população atual constitui 550 habitantes, que conservam as tradições antigas, assim como atividades próprias que se realizam pelo sentimento de união ao ambiente que os rodeia: animais, vegetação, água, terra, sol e montanhas. A proximidade com a Quebrada de Jere e suas abundantes águas doces dos Andes, permite ao povoado viver do cultivo de peras, damascos, ameixas entre outras frutas cultivadas, além das esculturas em pedra vulcânica. Durante uma época este povo foi um respeitado produtor de frutas, mas atualmente sua principal fonte de renda é a extração e comercialização de lítio.
É chamado do povo da Pedra Branca, em virtude das pedras liparitas utilizadas, não apenas no artesanato, mas, principalmente, nas suas construções em quase sua totalidade, estas sempre quadradas, em blocos artesanais realizados manualmente, com as pedras dispostas de uma maneira que resulta em uma assimetria completa. Os tetos são de cana, colocadas muito juntas sobre troncos de árvores (cactus, algarrobo, tamarugo) rusticamente polidos.
  



Entre a flora existente no local, predominam as “Colas de Zorro” e as “Cactáceas”. A fauna é constituída em sua maioria por lhamas, guanacos, alpacas e vicunhas. Na entrada de Toconao é encontrada uma região chamada “La Banda”.

Toconao faz parte da cultura Lickan-Antay, com origem que data de 9.000 A.C., tendo perdurado pelo tempo, respeitando e perpetuando o ancestral vínculo com a Mãe Natureza e conservando vivos, os Costumes e Tradições.

Toconao também se destaca pelo seu símbolo turístico, a Torre Campanário que data de 1750, separada da estrutura de sua Igreja San Lucas, datada de 1744, a torre foi construída em três corpos de barro e pedra com sua cúpula e porta de madeira de cactos, que entrega à praça do povo um grande valor estético e arquitetônico.

















Neste povoado também foi possível visitar um nativo, comer a pêra da região, ver o artesanato, e dar comida às lhamas que são criadas no quintal.




Curiosidades: O uso da madeira de Cactos é muito comum na região, devido a sua abundância, com ela se fazem, além da cobertura das casas, as portas, cujas amarrações são de couro de lhama, utensílios domésticos e até a escada da igreja foi feita com este tipo de madeira.



Vocês estão vendo este Jesus aí, cabeludo, esta é uma tradição local, onde nesta época as pessoas colocam mechas de cabelo em Jesus Cristo, como pedido de saúde e vida longa. Em todas as igrejas da região se pode encontrar Jesus Cristo com uma vasta cabeleira, de vários tons.


CONTINUA................

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