Casal Aventura

Casal Aventura

27 de fevereiro de 2011

Encontro com o Pacífico!!!

13.12.2010
Calama - Iquique

O casal acordou cedo para resolver logo as questões da moto, pois queriam seguir viagem para Iquique no mesmo dia. Mas esqueceram que, assim como na Argentina, no Chile tudo começa a funcionar mais tarde. Acredito que realmente só o Brasil adotou uma cultura diferente em relação a isso.

Ao saírem do hotel, com um mapa na mão, enquanto se dirigiam para a moto, foram abordados por uma moça que questionou se estavam perdidos, se precisavam de ajuda para encontrar algum lugar. A princípio, estranharam, mas perceberam que realmente ela queria ajudar. Ressaltando que ela estava do outro lado da rua e ao perceber que os viajantes consultavam um mapa, atravessou a rua e se aproximou simplesmente para ajudar. O casal passou por situações como essa diversas vezes, tanto na Argentina como no Chile. População educada, prestativa e solícita.

Aproveitaram que precisavam aguardar a abertura do comércio para tentar resolver a questão dos saques bancários, já que, ao contrário do Brasil, os bancos abrem e fecham cedo, e foram super bem atendidos pelo segurança da agência, que os ajudou, encaminhou para a gerência, indicou outras agências. Finalmente conseguiram sacar dinheiro, sem transtornos.
Procuraram pela mecânica indicada por Javier, a Calama Firma Motos (http://www.motonet.cl/empresas/calama-firma-motos), onde foram atendidos por Roberto Cabello, o proprietário, que foi muito gentil e simpático, além de prestarem um serviço de qualidade. Andréa ganhou uma luva nova, comprada na lojinha da revenda, após experimentar um monte de luvas, que o atendente mostrava com paciência e bom humor.

Após resolverem todas as questões da moto, decidiram se arrumar e por o pé, quer dizer, as rodas na estrada, mas não antes de experimentar o Lomito que viram em uma foto no Restaurante Bavaria (http://www.bavaria.cl/), enquanto tomavam um café no dia anterior.

Mais um fato engraçado: “A foto do lanche era linda, um lanche enorme, estilo “lomito gigante”, e repleto de “alface”. Pedimos dois, já que este seria o almoço do dia, mas ao chegar, o verde da foto não era alface, era abacate, isso mesmo, o lanche estava repleto de abacate, foi engraçado!!! Fica estranho, mas gostoso, só que tinha muito, então íamos tirando o excesso... mais uma para contar depois!!”.

Saíram de Calama por volta 13:45h, em direção a Iquique, cidade que nunca esteve nos planos da viagem, pois daqui tinham planejado ir direto para Antofagasta, a idéia de viajar até Iquique surgiu após uma conversa com a guia em San Pedro, Angela, que falou sobre a zona franca e os excelentes preços de importados, como o casal tinha interesse em comprar um netbook e dias sobrando na agenda, decidiram ir conferir. Se arrependimento matasse.....
A estrada que leva em direção a Tocopilla é excelente, bem sinalizada e bem pavimentada, ela atravessa a Cordilheira de Domeiko, formada por cadeias montanhosas, com as características do deserto.









Ao chegar a Tocopilla se tem o primeiro contato com o Oceano Pacífico.

Depoimento Andréa: “Você está andando por uma estrada onde só se vê areia, pedra, muita pedra... de repente, faz uma curva e lá está ele: o Pacífico!!! É emocionante, ainda mais para quem sai do Atlântico, é a sensação de ter atravessado o mundo rsrsrsrsrsrsr!”.


Tocopilla é uma cidade pequena, à beira do pacífico, que tem como principal atração sua rede portuária, responsável pela exportação do salitre retirado das minas chilenas e do cobre de Chuquicamata, que é transportado por trens que serpenteiam as grandes montanhas da região. Também tem um porto pesqueiro e indústrias de conserva e fábricas de farinha de pescado.




Após alguns quilômetros de Tocopilla, em uma viagem que beira o Pacífico o tempo todo, os viajantes se depararam com uma Aduana Chilena, que sequer sabiam que ela existia, mas a surpresa maior foi que os funcionários estavam em “paro” (greve) há dois dias e estavam atendendo aos poucos. Foi sair do roteiro para “coisas estranhas” começarem a acontecer!



Para “alegria” do casal, a aduana tinha acabado de fechar, eram o primeiro da fila, só iriam abrir após duas horas. Jorge tentou conversar, argumentar a dificuldade de pilotar a noite e o desconhecimento do trajeto, mas nada adiantou, os funcionários, educados, gentis, explicaram os motivos do “paro” e que não poderiam abrir mão da manifestação e que outras aduanas estavam totalmente fechadas.


Esta aduana existe, principalmente, para verificação de veículos, já que na zona franca de Iquique existe um grande comércio de automóveis, portanto, seu principal objetivo é verificar a documentação dos veículos que passam de um lado a outro.


O tempo sem atendimento foi suficiente para formar uma fila gigante de carros, caminhões, ônibus de turismo, inclusive um com uma turma enorme da terceira idade, que invadiu o único restaurante do lugar, onde o casal teve que ficar e tentar se alimentar, ele estava lotado de gente querendo beber e comer; a única atendente não dava conta de tantos pedidos, ainda bem que tinham tempo para esperar!


Depoimento Jorge: “Com o tempo foi se formando uma bagunça com cara de fila na frente da cabine e ficamos pensando, vai ser uma desorganização só, o pessoal vai sair “no tapa” e vão dificultar nossa passagem e somos os primeiros... vamos ver!!! Quando a Aduana voltou a funcionar foi uma festa, e ficamos felizes quando fomos chamados por todos que estavam na fila, deixando que os motociclistas fossem atendidos antes de todo mundo, por sermos os primeiros da fila e por termos preferência em seguir viagem... todos desejando “Buen viaje”. A fila também nos serviu para pegar referência de um hotel no centro de Iquique. Demoramos duas horas esperando para a funcionária olhar a documentação da moto, colocar um carimbo e em menos de dois minutos tínhamos permissão para circular legalmente no Chile”.



Voltaram para a estrada, já com o início do entardecer, torcendo para chegar antes do anoitecer. A estrada beira a Cordilheira de Domeiko, o que permite ter de um lado montanhas gigantes de pedra, areia e do outro o Oceano, um visual interessante e contrastante. As curvas e o vento foram outro atrativo.

Depoimento Jorge:
“Novamente o vento foi o grande vilão do dia. A paisagem, a mais improvável posssível: de um lado um oceano de um azul intenso, do outro um deserto de pedras e montanhas altíssimas, sem vegetação nenhuma. Esta é a paisagem que se vê por 250kms, seguindo em direção ao norte.

O vento é constante, não dá trégua, e é bem mais gelado do que o vento do deserto. Andei por 250 kms vendo sempre a mesma paisagem e andando com o moto inclinada para a esquerda. Foi o dia de gastar o lado esquerdo do pneu. Já nem estava estranhando tanto fazer uma leve curva para a direita com a moto inclinada para a esquerda. Das primeiras vezes em que isso aconteceu, no deserto, fazer curva para um lado com a moto inclinada para o outro gerava um verdadeiro nó no cérebro, mas agora já estava até acostumado, hehehe...”

Não conseguiram chegar antes da noite, mas puderam presenciar o pôr do sol no Pacífico, o que foi interessante depois de já terem assistidos a tantos no Oceano Atlântico. Infelizmente estava nublado, aliás, nuvens que não viam havia dias, o que não permitiu uma visibilidade das melhores.

Chegaram a Iquique por volta das 21h, procuraram pelo Hotel Fontana, indicação de um senhor na Aduana; o encontraram após atravessar a cidade, já que o hotel fica no Centro e a entrada da cidade é pelo litoral. 

Iquique tem uma orla arrumada, repleta de prédios de alto padrão, ruas organizadas, largas avenidas, e que lembra cidades litorâneas brasileiras, (Santos, litoral paulista, por exemplo) pois tem um calçadão bem iluminado, cheio de praças, ciclovias, parques, quadras de esporte, e muita gente passeando.

Suas grandes ondas chamam a atenção e devem ser o paraíso dos surfistas que gostam de se arriscar em meio as pedras.


Já o Centro da cidade é mais antigo, com prédios e construções com jeito de abandono, embora a limpeza faça parte de todos os lugares por onde passaram.


Iquique é capital da província de Iquique e da Região de Tarapacá. Possui uma área de 2.262,4 km² e uma população de 166.204 habitantes (2002). Pertenceu ao Peru até 1883, quando foi dado ao Chile pelo Tratado de Ancón após a Guerra do Pacífico. Iquique (pronúncia espanhola: [ikike]) é uma cidade portuária, encontra-se na costa do Pacífico, a oeste do deserto de Atacama e do Pampa del Tamarugal.

Iquique se destaca por seus Monumentos Nacionais e suas praias. Entre as mais belas se encontram: Primeras Piedras, Brava, Cavancha e Huayquique. A cidade é muito freqüentada por turistas atraídos, não apenas pelas praias, mas também pelos Cassinos, Museu Regional, Naval e Antropológico, assim como pelos edifícios históricos, como o Palácio Astoreca e o Teatro Municipal. Próximo a Iquique é possível encontrar o Parque Nacional Volcán Isluga, com abundante flora e fauna e povos de culturas ancestrais.

Além do comércio, a mineração de cobre é a principal responsável pelo desenvolvimento econômico da cidade e de sua riqueza.

Após tomar um banho, um tanto precário, colocar as roupas do avesso, pra variar, decidiram sair para comer. Fizeram a pergunta de sempre: sobre os perigos do lugar, devido ao avançar do horário, e foram novamente informados da inexistência destes “perigos”. Estavam próximos ao centro comercial, formado por ruas “peatonais”, ruas fechadas somente para circulação de pedestres, havia muita gente circulando e já passava das 22h.


Encontraram um restaurante temático, super diferente, onde filmes, músicas, artistas, atletas,  fazem parte do cenário e são sevidos, em sistema fast-food, pratos deliciosos (http://www.schopdog.cl/inicioN_.html), infelizmente as fotos são da internet porque a máquina estava carregando novamente!

Comeram este prato formado por carne, linguiça, "papas", ovos e um delicioso tempero. Nada saudável, mas muito gostoso!!!







Para conhecer mais:



Total de Km Rodados: 412
Abastecimento: 10 litros
Hospedagem: Hotel Fontana
Valor da diária: $ 18.000 pesos
1 Estrela: barato, bom para dormir após um dia cansativo, banho precário, café da manhã quase inexistente
Gasto Total (com alimentação): R$ 105,00

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