Casal Aventura

Casal Aventura

27 de fevereiro de 2011

Encontro com o Pacífico!!!

13.12.2010
Calama - Iquique

O casal acordou cedo para resolver logo as questões da moto, pois queriam seguir viagem para Iquique no mesmo dia. Mas esqueceram que, assim como na Argentina, no Chile tudo começa a funcionar mais tarde. Acredito que realmente só o Brasil adotou uma cultura diferente em relação a isso.

Ao saírem do hotel, com um mapa na mão, enquanto se dirigiam para a moto, foram abordados por uma moça que questionou se estavam perdidos, se precisavam de ajuda para encontrar algum lugar. A princípio, estranharam, mas perceberam que realmente ela queria ajudar. Ressaltando que ela estava do outro lado da rua e ao perceber que os viajantes consultavam um mapa, atravessou a rua e se aproximou simplesmente para ajudar. O casal passou por situações como essa diversas vezes, tanto na Argentina como no Chile. População educada, prestativa e solícita.

Aproveitaram que precisavam aguardar a abertura do comércio para tentar resolver a questão dos saques bancários, já que, ao contrário do Brasil, os bancos abrem e fecham cedo, e foram super bem atendidos pelo segurança da agência, que os ajudou, encaminhou para a gerência, indicou outras agências. Finalmente conseguiram sacar dinheiro, sem transtornos.
Procuraram pela mecânica indicada por Javier, a Calama Firma Motos (http://www.motonet.cl/empresas/calama-firma-motos), onde foram atendidos por Roberto Cabello, o proprietário, que foi muito gentil e simpático, além de prestarem um serviço de qualidade. Andréa ganhou uma luva nova, comprada na lojinha da revenda, após experimentar um monte de luvas, que o atendente mostrava com paciência e bom humor.

Após resolverem todas as questões da moto, decidiram se arrumar e por o pé, quer dizer, as rodas na estrada, mas não antes de experimentar o Lomito que viram em uma foto no Restaurante Bavaria (http://www.bavaria.cl/), enquanto tomavam um café no dia anterior.

Mais um fato engraçado: “A foto do lanche era linda, um lanche enorme, estilo “lomito gigante”, e repleto de “alface”. Pedimos dois, já que este seria o almoço do dia, mas ao chegar, o verde da foto não era alface, era abacate, isso mesmo, o lanche estava repleto de abacate, foi engraçado!!! Fica estranho, mas gostoso, só que tinha muito, então íamos tirando o excesso... mais uma para contar depois!!”.

Saíram de Calama por volta 13:45h, em direção a Iquique, cidade que nunca esteve nos planos da viagem, pois daqui tinham planejado ir direto para Antofagasta, a idéia de viajar até Iquique surgiu após uma conversa com a guia em San Pedro, Angela, que falou sobre a zona franca e os excelentes preços de importados, como o casal tinha interesse em comprar um netbook e dias sobrando na agenda, decidiram ir conferir. Se arrependimento matasse.....
A estrada que leva em direção a Tocopilla é excelente, bem sinalizada e bem pavimentada, ela atravessa a Cordilheira de Domeiko, formada por cadeias montanhosas, com as características do deserto.









Ao chegar a Tocopilla se tem o primeiro contato com o Oceano Pacífico.

Depoimento Andréa: “Você está andando por uma estrada onde só se vê areia, pedra, muita pedra... de repente, faz uma curva e lá está ele: o Pacífico!!! É emocionante, ainda mais para quem sai do Atlântico, é a sensação de ter atravessado o mundo rsrsrsrsrsrsr!”.


Tocopilla é uma cidade pequena, à beira do pacífico, que tem como principal atração sua rede portuária, responsável pela exportação do salitre retirado das minas chilenas e do cobre de Chuquicamata, que é transportado por trens que serpenteiam as grandes montanhas da região. Também tem um porto pesqueiro e indústrias de conserva e fábricas de farinha de pescado.




Após alguns quilômetros de Tocopilla, em uma viagem que beira o Pacífico o tempo todo, os viajantes se depararam com uma Aduana Chilena, que sequer sabiam que ela existia, mas a surpresa maior foi que os funcionários estavam em “paro” (greve) há dois dias e estavam atendendo aos poucos. Foi sair do roteiro para “coisas estranhas” começarem a acontecer!



Para “alegria” do casal, a aduana tinha acabado de fechar, eram o primeiro da fila, só iriam abrir após duas horas. Jorge tentou conversar, argumentar a dificuldade de pilotar a noite e o desconhecimento do trajeto, mas nada adiantou, os funcionários, educados, gentis, explicaram os motivos do “paro” e que não poderiam abrir mão da manifestação e que outras aduanas estavam totalmente fechadas.


Esta aduana existe, principalmente, para verificação de veículos, já que na zona franca de Iquique existe um grande comércio de automóveis, portanto, seu principal objetivo é verificar a documentação dos veículos que passam de um lado a outro.


O tempo sem atendimento foi suficiente para formar uma fila gigante de carros, caminhões, ônibus de turismo, inclusive um com uma turma enorme da terceira idade, que invadiu o único restaurante do lugar, onde o casal teve que ficar e tentar se alimentar, ele estava lotado de gente querendo beber e comer; a única atendente não dava conta de tantos pedidos, ainda bem que tinham tempo para esperar!


Depoimento Jorge: “Com o tempo foi se formando uma bagunça com cara de fila na frente da cabine e ficamos pensando, vai ser uma desorganização só, o pessoal vai sair “no tapa” e vão dificultar nossa passagem e somos os primeiros... vamos ver!!! Quando a Aduana voltou a funcionar foi uma festa, e ficamos felizes quando fomos chamados por todos que estavam na fila, deixando que os motociclistas fossem atendidos antes de todo mundo, por sermos os primeiros da fila e por termos preferência em seguir viagem... todos desejando “Buen viaje”. A fila também nos serviu para pegar referência de um hotel no centro de Iquique. Demoramos duas horas esperando para a funcionária olhar a documentação da moto, colocar um carimbo e em menos de dois minutos tínhamos permissão para circular legalmente no Chile”.



Voltaram para a estrada, já com o início do entardecer, torcendo para chegar antes do anoitecer. A estrada beira a Cordilheira de Domeiko, o que permite ter de um lado montanhas gigantes de pedra, areia e do outro o Oceano, um visual interessante e contrastante. As curvas e o vento foram outro atrativo.

Depoimento Jorge:
“Novamente o vento foi o grande vilão do dia. A paisagem, a mais improvável posssível: de um lado um oceano de um azul intenso, do outro um deserto de pedras e montanhas altíssimas, sem vegetação nenhuma. Esta é a paisagem que se vê por 250kms, seguindo em direção ao norte.

O vento é constante, não dá trégua, e é bem mais gelado do que o vento do deserto. Andei por 250 kms vendo sempre a mesma paisagem e andando com o moto inclinada para a esquerda. Foi o dia de gastar o lado esquerdo do pneu. Já nem estava estranhando tanto fazer uma leve curva para a direita com a moto inclinada para a esquerda. Das primeiras vezes em que isso aconteceu, no deserto, fazer curva para um lado com a moto inclinada para o outro gerava um verdadeiro nó no cérebro, mas agora já estava até acostumado, hehehe...”

Não conseguiram chegar antes da noite, mas puderam presenciar o pôr do sol no Pacífico, o que foi interessante depois de já terem assistidos a tantos no Oceano Atlântico. Infelizmente estava nublado, aliás, nuvens que não viam havia dias, o que não permitiu uma visibilidade das melhores.

Chegaram a Iquique por volta das 21h, procuraram pelo Hotel Fontana, indicação de um senhor na Aduana; o encontraram após atravessar a cidade, já que o hotel fica no Centro e a entrada da cidade é pelo litoral. 

Iquique tem uma orla arrumada, repleta de prédios de alto padrão, ruas organizadas, largas avenidas, e que lembra cidades litorâneas brasileiras, (Santos, litoral paulista, por exemplo) pois tem um calçadão bem iluminado, cheio de praças, ciclovias, parques, quadras de esporte, e muita gente passeando.

Suas grandes ondas chamam a atenção e devem ser o paraíso dos surfistas que gostam de se arriscar em meio as pedras.


Já o Centro da cidade é mais antigo, com prédios e construções com jeito de abandono, embora a limpeza faça parte de todos os lugares por onde passaram.


Iquique é capital da província de Iquique e da Região de Tarapacá. Possui uma área de 2.262,4 km² e uma população de 166.204 habitantes (2002). Pertenceu ao Peru até 1883, quando foi dado ao Chile pelo Tratado de Ancón após a Guerra do Pacífico. Iquique (pronúncia espanhola: [ikike]) é uma cidade portuária, encontra-se na costa do Pacífico, a oeste do deserto de Atacama e do Pampa del Tamarugal.

Iquique se destaca por seus Monumentos Nacionais e suas praias. Entre as mais belas se encontram: Primeras Piedras, Brava, Cavancha e Huayquique. A cidade é muito freqüentada por turistas atraídos, não apenas pelas praias, mas também pelos Cassinos, Museu Regional, Naval e Antropológico, assim como pelos edifícios históricos, como o Palácio Astoreca e o Teatro Municipal. Próximo a Iquique é possível encontrar o Parque Nacional Volcán Isluga, com abundante flora e fauna e povos de culturas ancestrais.

Além do comércio, a mineração de cobre é a principal responsável pelo desenvolvimento econômico da cidade e de sua riqueza.

Após tomar um banho, um tanto precário, colocar as roupas do avesso, pra variar, decidiram sair para comer. Fizeram a pergunta de sempre: sobre os perigos do lugar, devido ao avançar do horário, e foram novamente informados da inexistência destes “perigos”. Estavam próximos ao centro comercial, formado por ruas “peatonais”, ruas fechadas somente para circulação de pedestres, havia muita gente circulando e já passava das 22h.


Encontraram um restaurante temático, super diferente, onde filmes, músicas, artistas, atletas,  fazem parte do cenário e são sevidos, em sistema fast-food, pratos deliciosos (http://www.schopdog.cl/inicioN_.html), infelizmente as fotos são da internet porque a máquina estava carregando novamente!

Comeram este prato formado por carne, linguiça, "papas", ovos e um delicioso tempero. Nada saudável, mas muito gostoso!!!







Para conhecer mais:



Total de Km Rodados: 412
Abastecimento: 10 litros
Hospedagem: Hotel Fontana
Valor da diária: $ 18.000 pesos
1 Estrela: barato, bom para dormir após um dia cansativo, banho precário, café da manhã quase inexistente
Gasto Total (com alimentação): R$ 105,00

26 de fevereiro de 2011

A volta com cara de continuidade!!!

12.12.2010
San Pedro de Atacama - Calama

Chegaram de volta a San Pedro por volta das 11:30h e receberam a notícia que teriam que sair da pousada até as 12h, ou pagariam outra diária, e como pretendiam ir para Calama, ainda nesta data, correram para se arrumar... Ponto negativo para “Don Raul”. Conseguiram sair da pousada por volta de 13h., após um bom banho e arrumação rápida da bagagem. Acho que neste momento foi quando esqueceram as folhas de coca encomendadas por um amigo (que eles não citarão o nome para não criar constrangimentos rsrsrsrs).

Depois de muito ler, estudar e pensar sobre esta viagem, Jorge aprendeu algo importante e interessante com os “viajeiros” de plantão: NUNCA VOLTE PELO MESMO LUGAR!!!

Depoimento Jorge: “Voltando pela mesma estrada, você verá os mesmos lugares e estará fazendo uma viagem, se fizer um caminho diferente para voltar, a viagem parecerá duas, pois você irá conhecer lugares diferentes... Foi o que fizemos, traçamos um percurso que iria nos levar a novas aventuras. Bem diferentes das que tivemos até aqui, posso garantir!!!!”.






Decidiram ir embora um dia antes do programado após Jorge saber que havia apenas uma mecânica para trocar o óleo da moto e que o óleo existente não era muito confiável. Calama é uma cidade próxima, bem maior, que iria atender as necessidades dos viajantes quanto ao assunto segurança e cuidados com o meio de transporte.
De volta à estrada, deixaram San Pedro por volta das 13h, sabendo que muito ainda havia por conhecer e com a certeza de que um dia irão retornar. Durante muito tempo na estrada em direção a Calama tiveram o Licancabur como companhia e proteção.

A estrada se manteve bem sinalizada, bem cuidada e com as paisagens desérticas, formada por grandes campos de areia e pedra, que se perdiam de vista, estavam na Cordilheira de Sal.

Em meio a esta secura toda, Andréa fez sua primeira parada na estrada para necessidades fisiológicas, já que não havia nada, nenhum lugar onde pudesse usar o banheiro. A seca era tanta que Andréa e Jorge acreditam que irá nascer uma planta no local usado!!!

Nesta estrada o casal teve seu primeiro contato com estes “seres estranhos”, são redemoinhos... mas por enquanto eles estavam distantes... embora alguns bem grandes!

Os redemoinhos, torvelinhos, redemoinhos-de-poeira, pés-de-vento ou diabos de poeira (em inglês: dust devil) são ventos em espiral formados pela convecção do ar, em dias quentes, sem ventos e de muito sol.

Em relação ao vento, acho que Jorge pode falar melhor!!

Depoimento Jorge:
“A partir deste trecho pudemos sentir a força do vento no deserto. Andávamos por uma planície enorme, pedras e areia para todos os lados, a perder de vista. O vento me fazia andar com a moto muito inclinada, muito mesmo!
O primeiro caminhão que fui ultrapassar nesta estrada me fez tomar um susto e tanto. Até me aproximar dele, estava com a moto inclinada para a direita, e a uma velocidade não muito maior que a dele. Quase a moto entra debaixo da carroceria, pois como ela estava muito inclinada para a direita e o vento cessou de repente assim que entrei ao lado dele, ela jogou de uma vez na direção dele e precisei fazer uma manobra brusca para corrigir a trajetória.
Acelerei pra passar logo aproveitando a “proteção” contra o vento que o caminhão proporcionava, mas quando estava acabando de passar pela cabine o vento veio de uma vez e muito mais forte, pois além do vento havia a massa de ar que o caminhão deslocava para os lados. A moto foi deslocada uns 3 metros para a esquerda e quase fui parar fora da pista...   Nova manobra radical para corrigir a trajetória e acelerador pra que te quero, pois o caminhão estava logo atrás...
Nas próximas ultrapassagens fiquei mais esperto até que dominei a técnica de ultrapassar caminhões com vento lateral forte.
A tecnica consistia em aumentar bem a velocidade antes de ultrapassar o caminhão. Um instante antes de entrar no vácuo da carroceria, eu levantava a moto na posição correta e deixava o vento me empurrar um pouco pra esquerda, me afastando do caminhão enquanto eu passo pela carroceria, e quando estou quase terminando de ultrapassar a cabine eu jogo a moto com tudo na frente do caminhão, como se fosse dar uma fechada bem forte nele, inclinando a moto para a direita. O momento da “fechada” coincide com o retorno do vento lateral aumentado pelo deslocamento do caminhão, e apesar de ter inclinado muito a moto, ela não vai nem um centímetro para a direita e continua andando em  linha reta... 
Ah, pra dar uma idéia de quanto o vento do deserto é forte, ora de lado, ora de frente (e nessa hora é bom ter motor...): a bolha da moto trincou!!!”

Os redemoinhos ocorrem quando o solo se aquece em determinado ponto, transferindo esse calor à porção de ar que está parada logo acima dele. Quando atinge uma determinada temperatura, esse ar sofre rápida elevação, subindo em espiral e cria um mini centro de baixa pressão. Devido ao princípio da conservação do momento angular esse redemoinho ganha velocidade e acaba levantando a poeira do solo, fazendo com que um funil de 'sujeira' seja visível. Ele pode apresentar desde alguns centímetros até muitos metros de altura.

Frequentemente esse fenômeno é confundido com um tornado, porém vale salientar que, ao contrário dos tornados, os redemoinhos de poeira somente se formam em dias sem nuvens, sob muito sol e calor e baixa umidade do ar. Além disso, a velocidade dos ventos desse fenômeno raramente ultrapassa os 100 km/h, podendo causar apenas pequenos estragos, tais como destelhamentos leves.

Outra curiosidade é a quantidade de antenas de transmissão que os viajantes viram pelo caminho, quase todas as estradas por onde passaram, elas estavam lá... gigantes e em milhares, que se perdiam das vistas.


E ao fundo é possível ver a Cordilheira de Domeiko, que divide o Deserto do Pacífico, mas isto faz parte do próximo capítulo.

Durante todo o percurso, puderam ver inúmeras picapes, em sua maioria vermelhas, que circulam por toda esta área. Andréa deu o nome de carrinho Playmobil (quem não se lembra???), pois todas são exatamente iguais, possuem antenas gigantes, números enormes nas portas e um radar no teto.


De longe é possível avistá-las, andando de um lado pro outro em meio à secura do deserto.


Chegaram a Calama por volta das 15:30h, após algumas buscas, já que não tinham se programado para ficar nesta cidade, encontraram um bom hotel, Hotel Alfa, onde puderam tomar um banho.

Calama é uma cidade no deserto de Atacama, no norte do Chile. É a capital da província de El Loa, parte da Região de Antofagasta. Calama é uma das cidades mais secas do mundo, com precipitação média anual de apenas 5 mm (0,20 in). O rio Loa é o mais longo do Chile e atravessa a cidade. Calama tem uma população de 143.000, segundo o Censo de 2005. O município também abrange as comunidades quéchuas Estación de San Pedro, Toconce e Cupo, e as comunidades Lickan-Antay de Taira, Viejo Conchi, Lasana, São Francisco de Chiu Chiu, Aiquina-Turi, e Caspana. Encontra-se a uma altitude de 2.260 m, Calama é a porta de entrada para as maravilhas geológicas e arqueológicas do deserto do Chile Central.

Há uma variedade de hipóteses no que diz respeito à origem do nome "Calama," mas as duas principais afirmam que sua origem vem da língua Kunza, falada no passado pela Antay-Lickan, um grupo étnico que até hoje reside na província de El Loa.


Enquanto procuravam o hotel notaram que a cidade é bastante organizada, limpa e tem um bom centro comercial, tem um ar de cidade de interior, possui até um shopping, o Shopping Plaza, que se encontra em ampliação. Também em Calama está o Aeroporto de onde chegam vôos de todo lugar, lotados de turistas que vêm conhecer San Pedro de Atacama.

Animaram-se em ver um pouco de cidade grande e decidiram ir até o shopping para almoçar, já que estavam apenas com o churrasquinho de lhama no estômago. Após almoçar, Andréa, que não é de ferro, decidiu dar uma volta e olhar um pouco as lojas, ver a moda chilena (muito parecida com a brasileira, mas bem mais colorida e mais barata).
Enquanto Jorge a aguardava na frente da loja, foi abordado por um casal que perguntou se ele era dono da moto parada na garagem. Vale ressaltar que não há estacionamento próprio para motos, depois o casal percebeu que ela era a única moto estacionada no shopping (aliás, as vagas estavam lotadas de carrinhos playmobil) e que Jorge era o único a carregar capacetes, o que facilitou ser encontrado rsrsrsrsr. Também pouco se vê motos pelo trânsito, possivelmente devido ao clima não muito propício ao seu uso.

O casal era Javier, um brasileiro do sul e Mabel, uma chilena adorável. Ele veio para Calama e trabalha adivinhem aonde?? Isso mesmo, em Chuquicamata. Explicou que tem muita gente que veio de fora para trabalhar na mineradora que é a base da sustentabilidade da região. Ambos estão programando fazer a mesma viagem que fizemos, porém inversa, em 2011 e ao verem a placa do Brasil, e encontrar o Jorge com capacetes, decidiram parar para conversar. Trocaram várias idéias, telefones e emails, inclusive Javier indicou uma mecânica, já que Jorge explicou que a passagem por Calama se deve a necessidade de trocar o óleo da moto e fazer uma revisão rápida para a volta.

Javier também tirou todas as dúvidas da Andréa, sobre os Playmobil!! São vermelhos para serem vistos facilmente em casos de emergência, de se perderem no deserto, já que se destacam em meio ao cinza, sua antena gigante, que fica a maior parte do tempo dobrada e presa, é para serem usadas dentro das minas e que facilita serem vistas pelos ainda mais gigantes tratores que andam pelas minas, os números identificam as empresas e o funcionário, para facilitar a entrada nas minas e o radar no teto é o GPS e o rádio comunicador. Infelizmente não tiveram idéia de tirar uma foto, mas aí vai uma encontrada na internet.

A cidade de Chuquicamata, que fica a 15 km do centro de Calama, em direção a Tocopilla, é um dos locais interessantes para visitação e é onde se encontra a maior mina a céu aberto de cobre do mundo, porém a cidade sofreu com o avanço das mineradores, que estão devastando seus arredores, fazendo com que moradores antigos abandonassem suas residências e se mudassem para Calama. A mineração tem sido benéfica, no sentido de desenvolvimento para a região, Calama já conta com inúmeros bons hotéis e andando pela cidade é possível ver um enorme canteiro de obras, já que por todos os lados para onde se olha, se vê construções de condôminios, shoppings, cassinos e outros grandes empreendimentos.

Durante muitos anos esta foi considerada a maior mina de exploração do mundo em produção anual, mas recentemente foi superada pela Mina Escondida. Todavia, Chuqui permance como a maior em produção total e tamanho totalizando 29 milhões de toneladas de cobre em 2007. A Chuqui têm sido um fator importante da exportação chilena e ainda hoje continua representando 1/3 do comércio nacional já tendo sido responsável por 8% do PIB.

Apesar de 90 anos de intensa exploração, esta ainda permance como um dos maiores reservatórios do planeta. Também é a maior mina do planeta com 4,3 km de comprimento, 3 km de extensão e 850 metros de profundidade, além de ser uma referência mundial na produção de Molibdênio.

Infelizmente não foi possível para o casal realizar a visita à Chuquicamata, que estava nos planos da viagem, pois é necessário agendar com antecedência e têm dias e horários certos de visitação, que não incluía o dia em que estariam em Calama.

Segundo o casal que conhecemos, a cidade, antes da mineradora, era apenas uma pacata cidade de interior, perdida no deserto, atualmente é conhecida muldiamente e tem gente de todo lugar que vem para trabalhar com a mineração. Para os moradores mais antigos e conservadores, a cidade perdeu seu ar de tranquilidade e com o desenvolvimento também surgiram suas mazelas.

Depoimento Jorge:
“Este brasileiro que mora no Chile há 6 anos e me abordou no shoping, o Javier, tem uma Honda Transalp, e está em fase de preparação para a viagem dos sonhos dele. Pretende sair de Calama e fazer o mesmo caminho que fizemos de Foz do Iguaçu até aqui, atravessando a cordilheira pelo Paso de Jama. Depois disso ele segue em direção a Florianópolis, se não estou enganado.
Neste momento me senti um destes moto-aventureiros super experientes, como tantos que eu conversei quando estava montando o roteiro da minha viagem, para dar um monte de dicas interessantes para ele que faria sua primeira grande viagem de moto com a esposa na garupa. Falei da Quebrada de Cafayate, Tafi Del Valle, evitar a região do Chaco argentino por seu calor insuportável, e mais um monte de dicas que recebi e que estava agora tendo a oportunidade de passar adiante para que mais alguém pudesse realizar seus sonhos de fazer uma viagem fantástica sobre uma moto, assim como eu estava realizando o meu.”

Para conhecer mais:

Total de Km Rodados: 114
Abastecimento: 10 litros
Hospedagem: Hotel Alfa - http://www.hosteriacalama.cl/
Valor da diária: $ 33.800 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 170,00*
*Não incluso valor das entradas dos passeios:
Complexo Turístico Tatio: $ 5.000 por pessoa
(Câmbio do dia: 288 pesos = 1 real)

23 de fevereiro de 2011

Em cima de um vulcão!!!

12.12.2010
Gêisers Del Tatio

A saída para o passeio aos Gêisers é as 4h., a Van passa nas pousadas pegando os turistas por volta deste horário. O casal acordou as 3:30 e o café da manhã já os aguardava, as pousadas têm o costume de preparar um lanche para ser levado pelos turistas, já que o passeio é longo e com certeza a fome vai surgir. Mas algo diferente os aguardava.

O frio é absurdo, não o subestime, se agaselhe muito!! A noite do deserto é linda, mas gelada!!




A viagem leva cerca de 2h30m, realizada por estradas de terra e sob as estrelas, que, aliás, é uma beleza a parte. O céu totalmente repleto de luzes cintilantes, mais parece um mar esbranquiçado. Alguns aproveitam para dormir, principalmente aqueles que curtiram a noite de San Pedro.







Os Gêiseres de Tatio estão localizados na bacia geotérmica que leva o mesmo nome, na base do Vulcão Tatio, a 129 quilômetros ao leste da cidade de Calama e a 90 quilômetros ao norte de San Pedro de Atacama, a cerca de 4.320 metros de altitude. São considerados um dos mais importantes do mundo. Formados por dezenas de buracos de onde são expelidas fumaça, lama e água fervente que chegam a 10 metros de altura.




Um géiser ou gêiser é uma nascente termal que entra em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor para o ar. O nome gêiser provém de Geysir, o nome de uma nascente eruptiva em Haukadalur, na Islândia; este nome deriva por sua vez do verbo gjósa, "jorrar".






Seu processo de formação se dá quando a água subterrânea que se encontra nas fissuras, cavidades e lençóis freáticos, em contacto com rochas e principalmente a lava vulcânica encontrada abaixo, à elevada temperatura, vai aquecendo a água gradualmente. A elevada pressão a que a água se encontra faz aumentar o ponto de ebulição da água e, quando a temperatura da água atinge um ponto crítico, entra rapidamente em ebulição. O vapor de água obriga então a água a subir de forma violenta, em forma de jacto, dando origem a esta manifestação de vulcanismo. Esses jactos podem atingir cerca de 80 metros de altura e apresentar temperaturas de 70 °C a 100 °C.

Devido ao seu processo de foramção, o melhor horário para assistir a este espetáculo da natureza é entre as 6:30 e 9h, quando a pressão atmosférica gera enormes colunas de vapor, as águas quentes do fundo da terra (85º.C), em ebulição, saem através de fissuras na crosta terrestre, se encontram com as pedras frias da superfície, devido à temperatura da noite no deserto,  formando nuvens de fumaça que chegam a 10 metros.


  



Para deleite dos turistas, é servido um café da manhã ali mesmo, no meio dos gêiseres, que inclusive são utilizados para aquecer o leite, cozinhar os ovos, é algo muito divertido e diferente.



Após o café coletivo e muitas perguntas sobre o fenônemo, o grupo é levado a outro campo de gêiseres, onde a atividade ainda é intensa, onde se encontram os mais altos jatos de água e onde existe uma piscina, isto mesmo, uma piscina, de água quente, cerca de 33º.C, onde os mais corajosos aproveitam para se banhar.


 

A mistura do azul do céu, das nuvens de fumaça, das montanhas, do sol nascendo, tras um ar de surrealidade a este momento, levando o casal a pensar que poderia estar em Marte ou qualquer outro planeta distinto da Terra.




Todo cuidado é pouco neste passeio, o guia Salvador, foi muito enfático em falar do perigo de estar em cima de buracos que jorram água fervendo, principalmente no segundo campo, onde os gêiseres são grandes, porém tudo é muito bem demarcado e sinalizado, basta seguir as indicações e ter cautela. Contam que a alguns anos uma pessoa morreu ao cair dentro de uma das crateras.


Depoimento Andréa: “É um espetáculo fascinante, imperdível, mas o frio é de congelar. No dia em que estivemos por lá estava menos 5º.C. Foi o maior frio de toda a viagem!!!! Mas valeu a pena! A piscina é um atrativo, mas e a coragem para sair dela??? O melhor foi nem entrar hehehehehehehe Este é o tipo de passeio que é difícil explicar, aliás a maioria dos passeios por aqui precisam ser vivenciados para serem eternizados na memória”.



Saindo dos Gêisers, retomaram a estrada de volta, e paisagens fantásticas surgem no meio de um mundo de pedras e seca: um oásis repleto de água doce, vegetação e uma família de vicunhas, inclusive puderam assistir a um macho lutando com outros por território. Momentos únicos da natureza, presenciados por poucos!



Também puderam ver inúmeros flamingos, agora fora da Reserva, que aproveitavam a água para se banhar e alimentar.






Uma visão, ao mesmo tempo, estarrecedora e bela, é a do Vulcão Lascar, único vulcão ativo atualmente na região. Localizado a uma altitude de 5.592 m.s.n.m., possui uma cratera com 750 metros de diâmetro e 300 de profundidade e sua última erupção foi em 18 de Abril de 2006 e esta fumaça que aparece na foto é permanente, demonstrando que está vivo. Muitos aventureiros arriscam sua escalada. Um terço dos vulcões do mundo se encontram no Chile, 160 encontram-se ativos, porém só o Lascar está em plena atividade atualmente.

No caminho de volta, pararam para conhecer o povoado de Machuca, que está a mais de 4.000 m.s.n.m., a 80 km al norte de San Pedro de Atacama. Devido a altitude, caminhar pelo “pueblo” é uma missão que requer muita calma, com movimentos lentos e sem mudanças bruscas, evitando o mal de soroche.

Este povoado tem cerca de 20 casas e uma igreja, as poucas famílias que viviam em Machuca foram deixando o local para garantir uma vida melhor nas cidades maiores, atualmente apenas 6 habitantes moram de fato em Machuca e vivem da pecuária (principalmente criação de lhamas) e da visita de turistas, já que faz parte da maioria dos pacotes turísticos que levam ao Gêiseres.


Nas orelhas das lhamas é possível ver diversos enfeites coloridos, que são colocados como forma de agradecimento pela sua serventia ao povo, por servir de alimento, de agasalho e manter as pessoas vivas.






  

Os turistas aproveitam para conhecer o local e experimentar a empanada de queijo de cabra e o famoso “churrasquinho” de lhama, feito ali, na hora, por um típico atacamenho.



A Igreja é bem pequena, mas jeitosa e bem arrumada. Difícil mesmo é chegar até ela, já que fica em um morro e subir morros na altitude não é uma tarefa fácil para os menos atletas.

 


  
 A energia é conseguida através de painéis solares, energia tão desejada pela sociedade moderna. Ainda conta com hospedagem rústica, que agrada os turistas mais aventureiros.

Todas as casas possuem uma cruz em seu telhado, que simboliza um pedido de proteção aos deuses e uma forma de evitar a entrada dos demônios.

Desfrute um pouco mais deste passeio....



Para conhecer mais:

CONTINUA.........